Procura-se um Marido

sem nome (3)Aventureira, irresponsável e dona de um temperamento imprevisível. Assim é Alicia Lima, neta de Narciso Lima, um multimilionário. Desde que os pais de Alicia morreram que os dois só se têm um ao outro. De um dia para o outro a vida de Alicia dá uma volta radical. O avô morre, ela vê-se na obrigação de se manter casada durante um ano para reaver a fortuna da família e para sua desgraça tem que trabalhar numa das empresas do avô. Durante semanas, Alicia teve que enfrentar os olhares reprovadores dos colegas, os sussurros sobre a menina mimada e encrenqueira que o Sr. Narciso deserdou. O que Alicia não contava é que a solução para os seus problemas viria da pessoa mais improvável, um colega que desde o início conseguiu deixar os nervos dela em franja.

Confesso que o Chick-lit não é daquelas áreas da literatura que me agarre completamente mas quando a tarefa é desanuviar a cabeça e rir um bocado, a escolha pende para aqui. Como cheguei à Carina Rissi, uma autora da nova geração de escritores brasileiros? A culpa é da Jeh Asato e dos seus posts de lançamentos literários (ou terão sidos os vídeos da caixa do correio? Não interessa!). O que encontrei aqui foram personagens cómicas com atitudes muito terra-a-terra. Qualquer pessoa com um salário curto vai rever-se no desespero da Alicia de não ter um tostão furado quando precisa de comprar algo. De todas as personagens, quero destacar exactamente a Alicia. A evolução dela enquanto personagem é a mais marcante do livro. Ela passa da “menina do avô”, com as quedas sempre amparadas, a ter de se virar sozinha e provar a si mesma e à memória do avô de deixou de ser a menina mimada e inconsequente que era e que seria capaz de manter o legado dele. Quanto ao enredo, a premissa parece simples e previsível. A neta do milionário arranja o marido, fica casada durante um ano e volta a meter as mãos na fortuna, certo? Errado! Até chegar a esse ponto, a trama do livro dá mais voltas que uma montanha russa do parque de diversões. Para mim, esse é o detalhe chave para manter o leitor agarrado à história. Se ele não sabe onde é que ela vai parar, de certeza que vai ficar para ver. Concluindo, já que a ideia era desanuviar a cabeça e rir-me um bocado, esta leitura foi daquelas que deu gosto fazer e a Carina Rissi foi uma bela surpresa para mim.

Classificação: 4/5

– Quer saber se eu estou feliz com o que o meu avô fez? Não, não estou feliz. Na verdade, estou com muita raiva dele nesse momento por ele me ter jogado nesse covil de cobra, cercado de pessoas tão gentis como você, a Joyce e a espanador do RH. Mas o facto é que vovô me amava. Eu sei disso! Me impedir de assumir seus negócios não tem nada a ver com o que ele sentia por mim ou com a forma que eu levo a minha vida. Você. Não. Sabe – apontei um dedo, cucutando seu peito (…) – Você não viveu com ele os últimos vinte anos da sua vida. Não correu para A cama dele quando sentiu medo, e ele, sempre carinhoso, apertou sua mão e disse que ia ficar tudo bem, que não ia sair do seu lado. Ele não te consolou quando seu coração se partiu pela primeira vez nem em todas as outras. Ele não te deu bronca atrás de bronca, para logo em seguida te abraçar e dizer que só brigava com você para te educar direito. Ele não te abandonou. Foi comigo que ele fez isso.

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