Booking Through Thursday – Descobertas Escolares

btt2Todos nós lemos uma série de coisas diferentes na escola. De umas gostamos, de outras não. Quais foram os autores que aprendeste a gostar desde que os estudaste nas aulas? Agora perguntando ao contrário, quais foram os autores que passaste a odiar porque foste obrigado(a) a lê-los? Já tentaste lê-los de novo?

As minhas descobertas literárias escolares que ficaram até aos dias de hoje estão concentradas num género: poesia. As constantes deambulações pelos livros de Português durante as aulas de diversos professores de voz monocórdica deram-me a conhecer as palavras de Miguel Torga, de Sophia de Mello Breyner, de Eugénio de Andrade, de Florbela Espanca, de António Nobre…

Na parte dos “banidos”, aborreci-me de morte com Almeida Garrett e traumatizei-me com Virgílio Ferreira. Dificilmente os procurarei de novo.

2 pensamentos sobre “Booking Through Thursday – Descobertas Escolares

  1. Olá, Isabel.
    Vamos por partes, a disciplina de literatura dada nas escolas portuguesas, nem sempre obrigou os alunos a lerem este ou aquele autor, nenhum dos meus companheiros de estudo foi obrigado a ler fosse quem fosse. Estranho, não lhe parece? Mas é evidente que estou a reportar-me aos anos 50 do século passado e, ao recordar esse tempo e o método de ensinar literatura, refiro-me a um raro processo que ainda hoje considero eficaz e que,na sua prática, permitia que todos os alunos dobrassem a sua atenção e nenhum deles, garanto-lhe, mostrava enfado ou caía de sono nas aulas de Português/Literatura, pela razão mais elementar que se conhece: os professores conheciam literatura e tinham bastante alegria quando a ensinavam, entregavam-se, falavam de todos os autores e das obras dos mesmos como se de gente próxima se tratasse, como se fossem nossos amigos ou visitas lá de casa; enunciavam títulos, mostravam, à exaustão, o trajecto pessoal e bibliográfico de cada escritor e, por fim, aconselhavam, apenas aconselhavam, no fim de uma qualquer aula, a leitura de um ou outro livro. Nem em todas as casas havia livros, como pode calcular-se, o analfabetismo grassava neste país e a penúria das famílias também não lhes permitia ir além dos livros escolares, quantos deles, já bem coladas as páginas e cosidas as capas, passavam de irmãos para irmãos, primos para primos e, sabe-se lá, de quem para quem mais. Mas existiam bibliotecas públicas (pelo menos no Porto) e algumas (raras) famílias não se importavam de emprestar algumas obras “badaladas” nas aulas. A informação passava e aqueles que podiam ajudavam os que precisavam.
    No fim de cada ano lectivo, cada um de nós lia, por sua própria iniciativa – não quero mentir -, uns bons dez a doze livros. Lia-se Eça (os livros que a censura permitia), Camilo, Junqueiro, António Feijó, Aquilino (uma boa parte das obras às escondidas da censura), Miguéis (às escondidas pela mesma razão). Lia-se e relia-se Camões, Garrett, Fernão Lopes… e continuava-se, por gosto, a ler nas férias, é que o vizinho tinha muitos livros lá em casa e não se importava de emprestar.
    Estou convencido que se aprendia muita literatura, que se lia bastante mais que hoje mas, convenhamos também, não havia TV, MP3 ou 4, telemóvel e muito menos computador. Mesmo assim, não me importaria de voltar àquela tempo, pela literatura e pelo prazer de ler às escondidas, a rir-me daqueles que me proibiam. Mas não gostaria de olhar, outra vez, muitos dos meus amigos, sentados nos degraus da escola, lendo “Os Meus Amores”, do Trindade Coelho, sem agasalhos de inverno, a tiritar de frio e com buracos nas solas das botas do tamanho de dois euros.
    Por essa e por muitas mais razões, amamos, estou certo, de igual modo todos os autores, não aprendemos a odiar os homens das letras porque eles também foram parte integrante do nosso conhecimento.
    Um abraço amigo do
    Armando Sousa

    • Nos dias de hoje, parece-me que tanto os professores como quem manda neles pura e simplesmente adoptou um discurso do género “Meus meninos, têm aqui estes livros e vocês têm que os estudar. Porquê, não me perguntem. Tem de ser.”.
      Não se incute o gosto pela leitura, “enfia-se goela abaixo” dos nossos jovens os conhecimentos que alguns entendidos acham que eles devem ter.

      Obrigada pela visita e boas leituras 🙂

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