Cinco Semanas em Balão

Júlio Verne

Conhecido por ser um explorador verdadeiramente aventureiro,  Samuel Fergusson propõe-se a continuar os avanços de outros exploradores europeus pelo continente africano. No entanto, não pretendia seguir os exemplos desses mesmos exploradores, cujas viagens não tiveram o melhor dos fins, seja por causa de factores naturais ou por causa da acção de tribos de selvagens. Fergusson desenvolveu, então, um aeróstato alimentado a hidrogénio produzido através da separação química da água. A 20 de Abril, o Victoria, nome com o qual foi baptizado o balão, levantou voo de Zanzibar. A bordo, e a acompanhar Fergusson, seguem Richard Kennedy, seu amigo de longa data e um exímio caçador, e Joe Wilson, seu fiel criado. Pelo meio de algumas peripécias, descobrem as misteriosas Nascentes do Nilo. Uma atribulada mas prodigiosa viagem ao longo de um continente de contrastes como é África.

Novo ano, novas experiências. Júlio Verne sempre foi um autor sobre o qual sempre li boas críticas. Terminando esta leitura posso disse que junto a minha boa crítica às outras. O tipo de texto é o que estamos à espera num livro de Verne, um relato de viagem. No entanto, não é aquele estilo de relato chato onde se debitam simplesmente factos de viagem, datas ou locais visitados. Verne incorpora todo um manancial de factos ligados à história dos locais, elucida-nos em relação a questões culturais e apresenta todo um cenário que a maioria dos leitores não conhece. No que toca a estilo de escrita, todo o texto apresenta uma linguagem muito acessível, complicando um pouco mais no que toca aos sistemas métricos. A menos que se faça imediatamente a conversão, acaba por não se ter muita noção de grandezas como a distância ou o peso. Falando de texto também, foi com agradável surpresa que encontrei uma expressão que para mim é deliciosa: “dar às de vila-diogo”. Gostava de um dia ter acesso ao original para perceber qual o equivalente em francês. O início de cada capítulo, com um breve resumo do que se vai abordar, fez-me lembrar a organização de texto de Garrett. De referir também alguns pequenos problemas a nível de revisão de texto. Encontrei erros ortográficos, falha de acentuação gráfica e ausência de letras em algumas palavras. Felizmente, não foram prejudiciais à boa fluência da leitura. Em jeito de conclusão, foi uma agradável leitura que agradará, certamente, aos fãs do género.

Classificação: 4/5

Tempestades terríveis, calores tropicais, ascensões perigosas e descenções mais perigosas ainda, com tudo havia arrostado e de tudo tinha escapado, felizmente. Dir-se-ia que Fergusson o guiava com um gesto; e por isso, embora desconhecendo o ponto de chegada, nada receava o doutor pelo êxito da viagem. O que se tornava necessário, sim, no meio de povos bárbaros e fanáticos, era muita prudência e as mais rigorosas precauções; por isso o doutor não se cansava de recomendar aos companheiros que estivessem de sobreaviso com tudo e a toda a hora.

2 pensamentos sobre “Cinco Semanas em Balão

  1. Olá, Isabel.
    Na verdade, Júlio Verne, é o escritor, se não estou em erro, mais traduzido em todo o mundo, penso que em 147 países e numa infinidade de línguas. Bastante apreciado no seu tempo, continua, em pleno séc.XXI, a despertar interesse nos seus inúmeros leitores. Sempre o li com prazer, embora não seja um feroz adepto de literatura ligada à ficção científica. Diz, a Isabel, a dado momento, que o autor “incorpora todo um manancial de factos ligados à história dos locais, elucida-nos em relação a questões culturais e apresenta todo um cenário que a maioria dos leitores não conhece”. As enciclopédias não serviam para outra coisa e, Júlio Verne, que nunca andou de balão, nunca foi a África e apenas saiu de França por duas ou três vezes para viagens muito rápidas e de curto percurso, teve sempre necessidade de suportar-se dos livros e da sua prodigiosa imaginação, Mais adiante a Isabel refere-se à complicada “conversão dos sistemas métricos”. Não é complicado esse sistema porque não existe e é aqui que o seu fértil poder imaginativo tem de ser louvado. Quanto à organização de texto, que lhe faz lembrar, e muito bem, Garrett, permita-me que a remeta, também, para Aquilino Ribeiro, no que concerne à prévia descrição das terras beirãs, quanto às suas gentes, quanto aos seus usos e costumes. E acho que é tudo, deixando-lhe uma curiosidade: dar “às de vila Diogo”, conhece a historia desta famosa frase?…
    Um abraço
    Armando Sousa

    • Pode então dizer-se que Verne fez um excelente trabalho criativo. Faz-nos crer a todos que uma viagem deste calibre aconteceu, mesmo que às mãos de outra pessoa.
      Quanto à expressão, não sei a sua origem mas acho-a deliciosa. Uma alternativa bem mais divertida ao vulgar “dar de frosques”!
      Obrigada pela visita e boas leituras 🙂

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