Perdidos

Rute CanhotoNa ribeirinha cidade de Alcácer do Sal, tudo corre na mais perfeita tranquilidade. Marina é uma insuspeita adolescente, com objectivos traçados e um feitio que a mantém à margem de qualquer mudança de planos. Com o inicio de mais um ano lectivo, a rotina de aulas, momentos de tagarelice com a amiga Ana e muito estudo muda rapidamente de curso. Primeiro, Marina sofre vários acidentes inexplicáveis num curto espaço de tempo. Depois chegam duas caras novas à escola: Lucas, um jovem misterioso e de temperamento despreocupado; e Joshua, filho de pais portugueses que se mudaram recentemente dos Estados Unidos da América. No espaço de poucos meses, Marina percebe que aquilo que lê nos livros ou vê nos filmes pode ser verdade e pode estar bem debaixo no nosso nariz.

* ATENÇÃO: Pode conter spoilers *

Antes de mais nada quero agradecer à Rute Canhoto o facto de ter cedido cópias do seu livro aos bloggers, categoria onde me incluo. Apesar de não ser grande adepta de livros mais ligados ao Fantástico, não custa nada experimentar. Nunca se sabe se a experiência se transforma em algo positivo. Apesar de a Rute assumir claramente que a sua inspiração foi uma série de livros já existente, não me senti de modo algum condicionada já que nunca li a referida série. O discurso é fácil de acompanhar, o vocabulário usado é simples e a linha temporal da acção segue um percurso coerente. As personagens têm uma boa construção, apesar de terem algumas falhas que irei apontar mais à frente. Os elementos místicos do livro estão bem explicados, não deixando pontas soltas que possam resultar em incongruências. As descrições também estão bem construídas, senti-me por momentos a passear pelas ruas de Alcácer do Sal. No entanto, existem falhas que gostaria de ressalvar. Marina perde muitas vezes a credibilidade ao mudar repentinamente de personalidade. Se num dia é a menina atinada e pudica, no seguinte já anda mais desvairada que uma pré-adolescente com o Justin Bieber na frente dela e bastante saída da casca, com direito a semi-striptease e tudo. A passividade do pai de Marina consegue irritar qualquer mortal até à ponta dos cabelos. Existem repetições que ao fim de algumas páginas começam a causar urticária, como são os casos da repetição até à exaustão das palavras “pedagogo/a” e “docente” ou do tratamento carinhoso de “amor” e “bebé” entre Marina e Ana. Falando do final, achei que a Rute seguiu o caminho mais previsível mas ao mesmo tempo deixou a porta aberta para suposições dos leitores no sentido de estes se ficarem a questionar quem serão as figuras de destaque do próximo volume da trilogia. Para resumir, é um bom livro de Fantasia mas que tem ainda bastantes arestas para limar.

Classificação: 3/5

Sei que era novo e que gostava de ter continuado a desfrutar dos prazeres da vida. Tinha planos, muitos planos. Essa sensação acompanha-me sempre, embora tais planos se tenham varrido da minha mente. Talvez fossem as coisas habituais que qualquer pessoa quer: uma carreira, uma família, uma vida feliz. Mas tudo ficou para trás quando morri.

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