Que Alguém Saiba Que És Um Homem

Casimiro Teixeira“Que Alguém Saiba Que És Um Homem” é um verdadeiro exercício de sentimentos. Fluem com o correr da caneta, servindo de mapa ao estado de alma do poeta. Alma essa completamente despida perante os olhos de quem lê, mergulhando-nos os seus anseios, nas suas mágoas, amores e paixões. Um registo intimista, quase em tom de confissão. Um desabafo, na esperança de tirar algum peso de cima dos ombros.

Não é novidade para ninguém que a poesia é o género literário mais subjectivo de todos. Duas pessoas olhando para o mesmo poema fazem interpretações diferentes. No entanto, o estado de espírito de uma só pessoa também condiciona muito a visão sobre a poesia. Não é à toa que quando estamos mais depressivos, os poemas mais pessimistas assentam-nos como uma luva. Mas falando deste novo livro do meu caro conterrâneo Casimiro, o primeiro impacto ao receber o livro foi a capa. Hipnótica, misteriosa. Lá dentro, uma escrita muito fluída que resulta em versos soltos, sem esquema de rima ou métrica definidas. Uma mistura de poemas mais luminosos, onde se fala de sentimentos positivos como a paixão ou o desejo, com outros mais sombrios, que espelham algum desalento, tristeza e desapego para com a realidade. De referir também uma constante referência à Natureza, com especial destaque no mar. O mar da “nossa” Princesa do Ave é sempre uma bela inspiração. Concluindo, são poemas que nos tocam a alma, escritos como se fossem dedicados a cada um de nós.

Classificação: 4/5

A sedução nocturna dos dias

Tanto clarão que nestas trevas refulgiu,
morreram-me uns poucos medos ao ver tanta luz.
Depois, veio a noite e de novo me seduziu,
com seu manto de paz que sempre me seduz.
Quisera eu ser filho desse pó leve sem claridade,
seria mais da cor que ilumina os seres maiores.
Mas, infelizmente, vivo em fealdade,
no escuro morredoiro de tantos dissabores.
Isto aqui é de mágoas, é sobre dores, ansiedade e desgosto,
não é coisa de lume forte, esperançoso e colorido.
Tanto clarão, e nem um só que me alumie.
Ai de mim, seduzido por um negrume sem rosto.
Que me valham os poucos medos fugidos no bom sentido,
pois não tenho luz mais forte que me sacie.”

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