Mensagem

image

Publicado em 1934, um ano antes da morte do poeta, Mensagem foi desde o início agraciado com diversos prémios mesmo quando Pessoa apenas o considerava um “livro pequeno de poemas”. Após uma nota preliminar onde o autor discorre sobre as qualidades que o leitor deve ter para entender os símbolos que vai passar a apresentar, os 44 poemas que fazem parte desta obra dividem-se em três partes distintas. Em Brasão, Pessoa homenageia as figuras históricas de maior relevo do panorama nacional. Mar Português remete-nos para o Portugal dos Descobrimentos e para as suas figuras cimeiras. Por fim, O Encoberto discorre sobre a necessidade de renovação e a espera do Quinto Império.

A boa e velha Mensagem… Quem andou pelo Secundário deparou-se com ela em algum momento do caminho. O contexto de leitura diz muito da apreciação que se faz de um livro. Se estivesse na escola estaria à procura de figuras de estilo, de esquemas rimáticos ou mesmo de estrutura silábica. Leitura por lazer tem muito mais graça. Aprecia-se com calma a beleza de cada palavra, o sentido e simbolismo de cada poema. Olhando para o conteúdo de cada poema, percebe-se porque foi tão bem recebido pelo Estado Novo. Todos eles exalam o tipo de propaganda preferida do regime salazarista. Exaltam-se os heróis nacionais, embandeiram-se em arco os feitos gloriosos do nosso passado. E tudo isso emoldurado numa linguagem muito épica, a fazer lembrar Camões. Mas apesar de épica, consegue ser clara e pouco críptica  O conteúdo do poema corresponde ao título que lhe foi dado. No fundo, é o nosso espírito de Portugueses compilado num curto espaço de páginas. Um povo que olha para o passado com saudade e orgulho e para o futuro com incerteza e esperança.

Classificação: 5/5

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo – fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s