Vendredi ou la vie sauvage

Michel Tournier

Robinson lançou-se ao mar em Setembro de 1759, a bordo do Virgínia. O seu objectivo era fazer trocas comerciais e fortuna, se possível, na América do Sul. Ao largo do arquipélago de Juan Fernandez, próximo da costa do Chile, o navio é apanhado numa tempestade e naufraga, sendo Robinson o único sobrevivente. Até à passagem de um navio ao largo da sua Speranza passaram-se 28 anos, pautados pelos seus esforços de civilização e pela companhia do fiel cão Tenn e de Sexta Feira, um índio resgatado à crueldade da sua própria tribo.

**ATENÇÃO: Contém spoilers**

Falar deste livro implica falar-vos um pouco da minha experiência de leitura. O meu Francês está perro, enferrujado, com falta de uso. Precisava mesmo de o exercitar. Acabei por lê-lo como se ainda não tivesse saído do universo das salas de aula: lapiseira na mão, dicionário ao lado, avançando capítulo a capítulo, sublinhando as palavras que não conhecia ou que tinha dúvidas para as confirmar no final de cada um. Demorei bastante tempo a terminar mas deu para entender que afinal não estou tão enferrujada na compreensão como julgava. Passando para a “análise” do texto em si, esta é uma história muito simples de acompanhar e com uma linguagem à medida da simplicidade da mesma. Não é à toa que a tradução portuguesa deste livro está recomendada para alunos do 8º ano pelo Plano Nacional de Leitura. Mesmo para quem não tem um domínio a 100% da língua francesa, consegue perceber com facilidade o enredo por completo. A única dificuldade que pode surgir prende-se com uma linguagem muito técnica na área da náutica podendo trazer alguns problemas de compreensão aos menos versados na matéria. Olhando para o enredo em si, sem muitos detalhes, os leitores mais atentos poderão dizer “Mas eu já li isto algures!”. Por mera coincidência ou não, existem pontos em comum entre este livro de Michel Tournier e “As Aventuras de Robinson Crusoé” de Daniel Defoe. Nos dois livros, o enredo geral (naufrágio, construção da jangada, civilização da ilha, salvamento do Sexta Feira, etc.) é semelhante, bem como o tempo de permanência na ilha (28 anos). O que difere um do outro é a abordagem ao enredo e o final. No que toca a abordagem, Defoe foca-se mais no esforço de civilização e improviso de Robinson; Tournier aposta numa visão mais moralista, ressalvando a amizade e o respeito entre Robinson e Sexta Feira. No que toca ao final, com Defoe Robinson e Sexta Feira saem da ilha em direcção a casa; com Tournier Sexta Feira vai-se embora e Robinson fica na ilha. Em jeito de conclusão, julgo que aqueles que leram e gostaram d’ “As Aventuras de Robinson Crusoé” também gostarão desde “Vendredi ou la vie sauvage”.

Classificação: 4/5

” – Quant on entreprend un voyage comme celui que vous faites, lui dit-il après avoir tiré une bouffée de sa pipe, on part quant on le veut, mais on arrive quand Dieu le veut.”

[Tradução livre: “- Quando se embarca numa viagem como esta que está a fazer, – disse ele depois de dar uma baforada no cachimbo – parte-se quando se quer mas chega-se quando Deus quer.”] 

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