The Book of Illusions

Paul Auster“Todos acreditavam que estava morto.”. Até David Zimmer, o personagem principal deste livro, achava que Hector Mann estava morto. Zimmer é um professor de Literatura Comparada numa Univerdade no Vermont, EUA. Com a morte da família num trágico acidente, o professor entra numa espiral de dor e depressão que este expia através da escrita de um livro sobre Hector Mann, um actor de segunda linha de filmes cómicos mudos. Terminado esse projecto, embrenha-se noutro numa tentativa de não pensar no passado ou até mesmo ficar dormente face à realidade. Essa dormência é quebrada por uma carta enviada por uma tal Frieda Spelling que o convidava a visitar o Blue Stone Ranch, no estado do Novo México, pois Hector Mann tinha lido o seu livro e gostaria muito de o conhecer. E é na vida de Hector que entramos, uma vida onde a fronteira entre o real e a ilusão, a verdade e a mentira, a comédia e a tragédia parece não existir. Uma vida que vai muito para além da magia do cinema.

Julgo que a grande maioria dos meus leitores se vai identificar com a realidade que vou apresentar. Ler um determinado livro enquanto estudante e enquanto leitor recreativo é uma experiência completamente diferente. Na escola andamos à procura de figuras de estilo, de tipos de narrador, etc. e tal. O leitor recreativo lê o livro pelo enredo, pelo prazer em conhecer aquela história que o autor ali nos apresenta. Fazendo uso a uma referência a “Numa noite de Inverno um viajante” de Italo Calvino, é bem mais divertido ser-se Ludmilla a ser-se Lotária (para perceber a diferença, é ler o livro se faz favor). Mas deixo-me de divagações e passo ao cerne da questão, ou seja, este livro. Durante uma boa parte da leitura deste “Livros das Ilusões”, o leitor parece que está realmente sentado numa sala de cinema a ver filmes, tal é a minúcia na descrição das cenas dos filmes de Hector Mann. Aliás, todos os momentos descritivos são caracterizados por essa mesma minúcia. Mas ao contrário do que pode parecer, não é um livro maçador. Muito pelo contrário, salvo uma pequena excepção. É uma narrativa muito fluída e com um vocabulário acessível. A excepção de que falo prende-se com o capítulo onde se conta a vida pessoal de Hector Mann. Para mim é demasiado longo, são cerca de 70 páginas onde personagens e cidade aparecem em catadupa e aí sim, torna-se cansativo para o leitor. Se o autor tivesse introduzido uma pequena pausa que não perturbasse em demasia o ritmo narrativo, isso permitiria ao leitor um espaço de manobra para respirar. Mas isso é apenas uma pequena turbulência num voo tão aprazível por entre as suas páginas. Voo esse onde não é necessário recorrer a Xanax. Em suma, uma história bem contada que agradará a muitos.

Classificação: 5/5

“His world dad split in two, Alma said, and his mind and his body were no longer talking to each other. He was an exhibitionist and a hermit, a mad debauchee and a solitary monk and if he managed to survive these contradictions in himself for as long as he did, it was only because he willed his mind to go numb.”

2 pensamentos sobre “The Book of Illusions

    • Crítica, Liliana? Xi, não me considero crítica literária. Não chego aos calcanhares do José Mário Silva, do Pedro Mexia e de outros tantos que o fazem.
      Eu só dou opiniões. As minhas próprias opiniões cheias das palermices todas que me apetecer escrever.
      Falando do livro, foi uma releitura. Fez parte do programa de Cultura Inglesa no meu curso. Achei que merecia 2ª oportunidade.

      Boas leituras🙂

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