Booking Through Thursday – Ser Leitor

“Um dia destes estava a conversar com um colega de trabalho sobre um livro que li recentemente e percebi que não tenho assim tanta gente com quem o possa fazer. No meu dia-a-dia, parece que já ninguém lê mais do que o jornal ou uma revista de moda. Só tenho uma pessoa com quem posso realmente falar sobre livros. Sendo uma Leitora com “L” maiúsculo, não consigo sequer imaginar a minha vida sem ter um livro nas mãos ou estantes cheias deles arrumadas orgulhosamente na sala. Sinto-me orgulhosa por não só ser uma pessoa que lê, como também uma pessoa que lê muito (não só em quantidade como em variedade). Gosto de ter uma mente curiosa. Gosto de explorar novas ideias. Gosto de seguir um enredo intrincado (quanto mais complexo, melhor). Eu adoro SER leitora e não me consigo imaginar não sendo uma.

Serei a única a sentir-me assim? Questionar-me porque é que os outros não fazem algo que devia ser tão essencial, sentir-me triste por ver tanta gente que parece sentir-se bem por viver toda uma vida sem dar asas à imaginação?

Imaginas-te não sendo Leitora? Em que medida isso molda a tua vida e a tua percepção dela?

Em que medida ser Leitora afecta a tua relação com todos os outros que estão do “outro lado da barricada” e que simplesmente não entendem porque é que estamos sempre a LER? (…)”

Isto de, nós leitores, nos sentirmos um bicho raro já teve momentos piores. Lembro-me que, no início do NCDL, sempre que existiam inquéritos estilo Voxpop sobre leitura, o número de pessoas que afirmava não terem lido um único livro nesse ano era astronómico. Hoje em dia, creio que todo o dinamismo das editoras bem como o de todos os bloggers literários que andam neste mundo virtual por simples amor à camisola das letras, essa tendência está a diminuir. Prova disso é uma reportagem feita pelo Público em diversos meios de transporte público onde se notou uma presença cada vez maior de livros entre os passageiros, tanto em versão como em versão electrónica.

Sinceramente, não me consigo imaginar como uma não-leitora. Canso-me, é certo, mas não abandono. Foi um bichinho cultivado desde muito cedo e não vai morrer nunca. Quanto à relação com não-leitores, dou-me perfeitamente com essas pessoas e entendo perfeitamente que para alguns as letras escritas possam não ter encanto nenhum. Mas que a vida é mais chata, lá isso é. Quantas e quantas vezes apetece conversar com alguém que já tenha lido o mesmo que eu para debater umas ideias…

2 pensamentos sobre “Booking Through Thursday – Ser Leitor

  1. Não fique triste Isabel, olhe que não é tanto assim, há muita gente a ler.
    Ainda me recordo da minha infância e do senhor Camilo, o barbeiro do bairro (um homem de letras), emprestar-me, com imenso orgulho, livros sacados da sua “biblioteca” composta por 15 ou 20 volumes alinhados na segunda prateleira do guarda-louças. Um a um lá os fui lendo todos. Comecei pelo “Uma Família Inglesa” e não mais parei de ler ( os meus livros, óbviamente) até aos dias de hoje. Mas nesse tempo ninguém lia, quase nem o jornal… quase ninguém sabia ler, a taxa de analfabetismo atingia números proibitivos e o senhor Camilo era considerado, lá na rua, com imenso respeito e, muitas vezes, consultado para opinar sobre temas que nem sempre estavam na área do seu conhecimento, só porque tinha uma prateleiras de livros. Até a polícia política, de quando em vez, lhe entrava em casa, sabendo-o tão “letrado” e, por inerência, um tanto perigoso, só para lhe vasculhar a “livralhada” (como costumavam dizer-lhe). Mas, hoje, repare bem, já se vê muita gente de livro aberto nas esplanadas, nos autocarros, no metro… embora a taxa de iliteracia continue abismal. Tem havido sempre razões de peso para que os governantes deste país se esqueçam e descuidem de “facilitar” leituras ao povo (repare nas matérias literárias das escolas). Eu sei porquê, tanto “descuido” ou “esquecimento”… mesmo assim o povo lá se vai revoltando e lê. Não acha bonito, Isabel?
    Um abraço do
    armando sousa

  2. Boa tarde, Isabel.

    Sobre este mesmo tema, no qual você, por último, diz que gostaria de conversar com pessoas que tivessem lido o mesmo (livro) para debaterem ideias, lanço aqui um repto, se me permite entrar como participante activo no seu blog:
    – promova a leitura de determinado livro;
    – proporcione a discussão sobre o mesmo.

    Os clássicos portugueses, como é sabido, estão na “prateleira” do esquecimento mas, embora sejam lidos por umas quantas pessoas (não quero arriscar números porque não os possuo), penso que apenas dois ou três “badalados” títulos foram procurados. Recordo-me de Eça e Camilo e não estarei muito longe da verdade se, em termos estatísticos, se souber que, apenas “Os Maias” e o “Amor de Perdição” foram lidos e, quantas vezes, por obrigação curricular. E é pena, são escritores a “visitar” sempre, porque nos dão a conhecer o fiel retrato social do século XIX e porque escrevem português para portugueses. “A Capital”, de Eça de Queiroz, por exemplo…

    Um abraço amigo
    armando sousa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s