Inverno de Sombras

Em 1833, cinco monges reúnem-se em Lisboa para decidir o destino a dar a uma misteriosa caixa e à sua respectiva chave. Com o avançar dos séculos, estes objectos vão se mantendo nas mãos de uma mesma família. Chegando aos dias de hoje, conhecemos os elementos que vão restando dessa família. Isadora é uma jovem estudante de Belas-Artes, sempre muito formal e atinada que vive com o peso de só lhe sobrar o tio Garrett, visto que os pais e o irmão morreram. Garrett, esse é um homem misterioso e cerimonioso, o tipo de pessoa que traz um segredo dentro de si há demasiado tempo. No dia em que Isadora esbarra com Pierre, um estudante de intercâmbio, aquilo que eram os dias normais e rotineiros de aulas, compras, conversas galhofeiras com a amiga Andrea e as aulas de ballett deixaram de o ser. Os nomes de Goulart e Amauri começam a fazer parte do dia-a-dia, já ninguém parece ser o que diz e os fenómenos estranhos passam a ser o prato do dia.

Depois de já ter lido um outro livro da Liliana, livro esse num outro registo, foi com muito gosto que aceitei ler este também. Confesso que a área da fantasia não é algo que predomine nos meus gostos de leitura mas não o descarto por completo. É um género que tenho que aprender a apreciar. Falando deste livro em particular, tem um discurso fluído, os saltos temporais são coerentes e apresenta uma linguagem simples. No entanto, estaria a mentir se dissesse que o enredo é fácil de acompanhar. A quantidade de personagens e informações apresentadas durante a primeira parte confunde um pouco mas a partir do momento em que o passado das diversas personagens é apresentado, tudo fica mais fácil de seguir. Para os leitores que apreciem enredos previsíveis, daqueles que seguem uma linha recta para chegar do ponto A ao ponto B, este é um livro para deixar de lado. O enredo tem mais voltas e reviravoltas que uma montanha russa. O que não é necessariamente mau já que prende a atenção do leitor, curioso para saber qual é o próximo passo de uma determinada personagem. Os momentos descritivos ao longo de todo o livro estão bem conseguidos. Tanto os momentos de fantasia como os momentos de mistério são lançados na história em doses sensatas. Outro ponto interessante que encontrei foram as características de personalidade que a Liliana atribuiu a cada personagem.  Como pontos negativos, tenho a apontar dois. Mais uma vez aquilo que me parece ser a imagem de marca da Liliana, a inclusão do pensamento das personagens no texto, consegue tornar-se confusa a espaços. O leitor tem que se manter atento aos sinais de pontuação para diferenciar pensamentos do discurso directo. O outro ponto são as gralhas de revisão. Foram várias as palavras encontradas com acentos desnecessários, letras suprimidas ou acrescentadas ou até mesmo palavras onde o espaço entre elas foi suprimido. Em jeito de conclusão, para quem, como eu, não é muito dada a livros de fantasia, esta é uma leitura interessante e proveitosa.

Classificação: 4/5

“Pensas que sabes o que é sofrer, mas não sabes. Tu sabes o que é perda. Tiveste que te amasse e perdeste-os. Eu tenho um pai que me quer matar desde o instante que soube da minha existência e que passou décadas a demonstrar-me o quanto o queria. Uma mãe cujo o único interesse era vangloriar-se sobre o fracasso em vez de o tentar evitar. E a única coisa comum aos dois é que o passatempo preferido deles é a caça, e a cabeça a prémio é a minha!”

 

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