A Montanha da Água Lilás

Sentado à fogueira, ladeado pelos netos, Avô Bento começa a contar uma história. A história de uma Montanha onde se ouvia “lupi-lupi-lupi”‘s constantes. Um espaço onde conviviam lupinhos, lupões e jacalupis, peludas criaturas com funções e personalidades distintas. A calma da Montanha é agitada, um dia, com a descoberta da água lilás pelo lupi-poeta. Um líquido perfumado, com capacidades algo miraculosas, capaz de eliminar as pragas que incomodavam estas amistosas criaturas.

Não resisto a, de tempos a tempos, dar um saltinho a África através da escrita de autores fantásticos, como é o caso de Pepetela. Escrito sob a forma de uma fábula, o autor personifica nos lupis uma sociedade organizada que acaba desvirtuada da sua essência calma e pacífica por culpa da ganância provocada pela água lilás. Essa ideia de sociedade organizada está bem patente no facto de vários lupis desempenharem profissões específicas: advogado, comerciante, diplomata, sábio, etc. O enredo em si é bastante simples e o vocabulário usado é também ele simples, como é habitual nas fábulas. No entanto, Pepetela utiliza no texto uma série de vocábulos muito típicos de Angola que para a maioria não são tão familiares. Na minha opinião, fazia falta um glossário a acompanhar o livro, como acontece em outras obras do autor. Mas aquilo que mais me agradou foi aquele estilo de escrita bem próprio dos escritores africanos. As descrições muito visuais, assentes em elementos cromáticos e sensoriais. O estilo de escrita em que por momentos parece sentir-se o perfume no ar. Por último. não posso deixar de referir as ilustrações incluídas nesta edição da colecção BIS. Sempre apresentadas no início do capítulo, dão uma vaga ideia ao leitor do que se vai passar de seguida, bem como mostram ao mesmo leitor como seriam estas peludas criaturas. Concluindo, uma história simples, com o encanto que têm as histórias simples e que agradará a toda a família, dos netos até aos avós.

Classificação: 4/5

” Vocês não compreendem? A água lilás é um bem que é preciso saber utilizar. Com ela podíamos fazer muitas coisas que o lupi-sábio inventou. E gasta-la correctamente. (…) A água lilás só nos serve para tomarmos banho e vender. Quando podia servir para muitas coisas.”

5 pensamentos sobre “A Montanha da Água Lilás

  1. Bom dia, Isabel.
    Tenho esse livro (de outra editora), há já bastante tempo. De Pepetela li apenas o Jaime Bunda, com algum agrado. Comprei, pouco tempo depois, A Montanha da Água Lilás. Ainda ali está na estante, apenas folheado no momento para lhe sentir o “corpo” e cheirar as páginas. Está encostado ao Jaime Bunda. Você despertou-me a curiosidade para a sua leitura e quando acabar de lêr Almuneda Grandes (de facto uma grande, grande escritora espanhola pouco lida em Portugal), vou pegar na “Montanha…”.
    Um abraço

    • Boa tarde Armando
      É sempre gratificante saber que as nossas opiniões impeliram alguém a ler um livro sobre o qual escrevermos algo. Julgo que também vai gostar de conhecer a história desta Montanha.
      Estou em falta em relação a conhecer essa famosa personagem de Pepetela, o Jaime Bunda.
      Bom Domingo e boas leituras!

  2. Amei este livro, é o melhor livro que eu ja pude lêr e digo que o pepetela é mesmo muito criativo quem me dera saber como é que ele criou essa ideia e onde o Avô Bento aprendeu essa linda fábula

  3. Olá, li este livro na minha infância e infelizmente desde então não consigo encontrar outro exemplar. 😦
    Será alguém tem em Pdf?
    Faria a minha criança interior mto feliz…

    Bj

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