Moby Dick

“Chamem-me simplesmente Ismael”. Este é o ponto de partida de um relato sobre a viagem do navio baleeiro Pequod, cujo capitão era o obstinado Acab. A sua maior obsessão: capturar Moby Dick, a baleia branca. Moby Dick não é apenas um relato de uma viagem, é praticamente um documentário sobre a ancestral prática da caça à baleia. Todos os passos são descritos, desde o capturar do animal passando pela sua transformação e acondicionamento.

Este livro, numa edição dos Clássicos Juvenis TVI (uma colecção editada em 1996), foi uma das minhas primeiras tentativas, há muitos anos atrás, de entrar numa literatura mais adulta. Escusado será dizer que não o terminei já que a minha tenra idade ainda não estava preparada para absorver tanta informação. Falando da edição propriamente dita, esta colecção tem a vantagem de estar acompanhada de ilustrações, mesmo estando a preto e branco. Tem a sua graça estar a ler as passagens sobre o índio Queequeg e na página seguinte encontrar uma imagem que ilustra o intrincado padrão de tatuagens que havíamos acabado de ler. Mas passando ao livro. Todo o ambiente de Moby Dick reflecte as vivências do próprio Herman Melville, marinheiro veterano na caça à baleia. Isso está bem patente, tal como referido no parágrafo anterior, na descrição de todos os passos. Todos eles são pautados por um detalhe impressionante. Mas sejamos sinceros, se o livro fosse de não-ficção ou ao estilo de documentário, seria uma obra excelente e muito rica. Como é um romance, tanta informação e tanto detalhe torna o livro cansativo e chato. Claro que a obra tem pontos positivos. O estilo de escrita é muito clássico e fácil de seguir, mesmo existindo alguns rasgos de erudição a espaços. Está também presente um certo misticismo na obra, nomeadamente com a ideia do destino ou a presença de elementos bíblicos a servir um pouco como uma premonição para o poderá acontecer. Concluindo, para mim é um livro demasiado parado para ser um excelente livro.

Classificação: 3/5

” – Há muitas coisas que você ignora. Os objectos que nos rodeiam, os objectos visíveis, não são mais do que máscaras de cartão. Porém, em cada acontecimento, no indiscutível acto de viver, há o desconhecido, um desconhecido que raciocina, enquanto que a máscara, essa, não raciocina. E o homem não pode actuar senão através da máscara! Como pode um prisioneiro evadir-se da sua cela sem destruir o muro? Pois bem, a baleia branca é esse muro. Eis porque quero destruí-la. Por vezes acontece-me pensar que por trás dela, por trás desse muro, por trás dessa máscara de cartão, não há nada.”

4 pensamentos sobre “Moby Dick

  1. Nossa, nem lembrava de Moby Dick, hehehe! Mas é uma leitura que não me interessa, por enquanto. Sei que é importante dar atenção aos clássicos mas por ser um romance isso me convidaria. Não gosto muito de livros no estilo “documentário”!

    Gostei muito da resenha e da sinceridade!
    ;*

    • Essa sou eu flor! Quando não gosto, vou logo dizendo de cara. Além do mais, não seria justo para os meus leitores que eu fizesse uma resenha cheia de elogios quando eu nem gostei assim tanto do livro. Baita hipocrisia, né?

      Beijo e boas leituras🙂

  2. Moby Dick é um livro cheio de reflexões, pelo menos pra mim! Clássico é clássico. Nossa, faz tanto tempo que li, uma hora dessas preciso ler novamente.

    • Pois é, Helana, pra mim esse livro tem reflexões a mais. Não retiro crédito nenhum ao facto de ser um clássico mas como eu li recentemente, tem livros que são monumentos e livros que são instrumentos. A maioria das pessoas nem sempre entendem os livros monumento…

      Obrigada pela visita e boas leituras🙂

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