A Arte de Matar Dragões

Na Espanha de Francisco Franco, os republicanos montam uma complexa operação de segurança ao espólio de arte do Museu do Prado, em Madrid, levando-os para diversos locais do estrangeiro no sentido de garantir que o mesmo espólio não sofresse as consequências do pós-guerra. Durante o transporte, um dos quadros desaparece, A Arte de Matar Dragões, obra de origem italiana mas de cujo autor não se conhece a identidade. Cabe a Arturo Andrade, membro dos Serviços Secretos, descobrir o paradeiro da obra e os autores do desaparecimento da mesma. Pelo meio do enredo surgem laivos de um romance de cavalaria, onde Arturo, qual D. Quixote lutando contra os moinhos, sai em salvação da sua Dulcineia, a misteriosa Anna.
Se num primeiro momento, a mistura entre um policial e um romance histórico parecia algo estranho, com o avançar da história percebi que os dois géneros até se misturam bastante bem. Neste caso em concreto, acabam por se complementar, já que a parte histórica vem explicar diversos elementos que estão por trás da parte do mistério. Todos os elementos sobre o regime de Francisco Franco são interessantes de conhecer, nem que seja para uma tentativa de comparação com o regime que Portugal viveu durante o Estado Novo, com Oliveira Salazar. No que diz respeito à escrita, toda a história é apresentada de uma maneira que prende o leitor. As doses de mistério ao longo do enredo são geridas de um modo consistente, o que nos deixa a nós, leitores, curiosos para saber qual vai ser o próximo passo nas investigações de Arturo ou quem mais poderá estar por trás do desaparecimento do quadro. No que toca à tradução, Alcinda Marinho apresenta ao longo do livro pequenas notas de rodapé que explicam ao leitor menos informado o significado de expressões ou elementos culturalmente específicos. Mas o que mais me agarrou neste livro foi o final. Sinceramente, estava à espera de algo mais “happy ending” e não de um fecho de história tão sangrento. Concluindo, para quem gosta desta mistura improvável de mistério e História, este é um livro a ler.
Classificação: 4/5
” – A vida, como os touros, acaba sempre por investir contra nós, e então a gente tem de escolher: ou se mexe ou fica quieto. Claro que também podemos tentar enganá-la, fingir que vamos fazer uma coisa e depois fazer outra.”

2 pensamentos sobre “A Arte de Matar Dragões

  1. É, já percebi que você adora romance com pitada de história né??? Eu já não gosto muito, confesso.. ainda mais se eu não tenho conhecimento sobre a história em si… como a descrita no livro, hauhauahua!
    Mas que bom que você gostou e deixou a dica para os fãs desse gênero né??😉

    Beijinhos DAQUI PARA AÍ!

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