Marina

Carlos Ruiz Zafón leva-nos de novo para o ambiente mágico e misterioso de Barcelona, desta vez para o ano de 1979. Quem nos conta esta história é Óscar Drai, um jovem de 15 anos, residente num internato daquela cidade. Para Óscar, as aulas eram meros intervalos na sua ânsia de explorar todos os recantos de Barcelona. Numa das suas aventuras fora do internato, Óscar conhece Marina Blau e o seu pai Gérman, habitantes de um velho casarão no bairro de Sarrià. Os dois jovens tornam-se amigos e as constantes explorações, agora feitas a dois, levam ao precipitar de todo o enredo do livro. Um enredo de onde fazem parte um excêntrico empresário cujo desejo maior é consertar o que a Natureza destruiu, uma cantora russa, um sócio à procura de vingança, um médico que se refugiou do mundo com a filha como única companhia e um polícia já na reforma cujo único desgosto da carreira foi não conseguir desvendar o caso que une todas estas personagens. Um enredo onde predominam o drama, a tragédia, a morte, a doença e o sofrimento.
*Atenção: pode conter spoilers*
Alguém dizia no Goodreads que Zafón tem o dom de, a cada livro, aguçar ainda mais a vontade aos leitores de visitar Barcelona. Eu assino por baixo! Todas as descrições deixam aquela vontade de ir ao local e comprovar se as ruas são como o autor as descreve, se os locais de que fala existem mesmo ou se são produto da imaginação dele, etc. Mas passando ao livro propriamente dito. Na introdução ao livro, Carlos Ruiz Zafón diz-nos que este Marina é a última das obra que o mesmo escreveu num registo mais juvenil. No entanto, os leitores deparam-se com uma leitura que é tudo menos juvenil. É um livro pesado, graças à carga emocional que o enredo vai adquirindo. Um enredo que por todo o seu conteúdo de filme de terror faz lembrar em certo modo o livro Frankenstein. Algo me diz que o apelido Shelley não está nesta história por mero acaso. É como se funcionasse com um reforço de todo este ambiente muito dark, diria mesmo dantesco. Um livro que tem todos os ingredientes daquilo a alguns leitores já chamam o “Efeito Zafón”: mistério, romance, um ambiente mágico em volta de Barcelona, como de uma cidade encantada se tratasse. Em todos os meus anos de leitora ávida, foram muito poucos os livros que me deixaram a olhar durante largos minutos para o mesmo, já fechado, depois de lida a última página. Este foi um deles. Fiquei completamente arrebatada. Recomendo-o vivamente!
Classificação: 5/5
“Naquela noite, Mikhail contou-me que a vida concede a cada um de nós raros momentos de pura felicidade. Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes, anos. Tudo depende do nosso destino. A recordação desses momentos acompanha-nos para sempre e transforma-se num país da memória a que procuramos regressar durante o resto da nossa vida sem o conseguir.”

2 pensamentos sobre “Marina

  1. Fico contente que sintas que a qualidade se mantém. Tenho de ver se leio os dois que me faltam, até porque já sinto saudades da escrita do Zafón. 🙂

    Beijinhos e boas leituras.

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