A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile

Gabriel García Márquez pegou no relato real de Miguel Littín, um realizador chileno, e escreveu este livro em forma de reportagem. Littín é, como disse, um realizador chileno e um opositor ao regime de Augusto Pinochet, facto que o fez exilar-se e lhe valeu a proibição de entrada no país. Com o objectivo de filmar a realidade do Chile sob a alçada de Pinochet, Littín assume a personagem de um burguês uruguaio que tem como objectivo filmar um spot publicitário usando imagens do país. São montadas diversas equipas de filmagem, independentes entre si,  responsáveis por captar a realidade do país de Norte a Sul e com paragem no centro nevrálgico do regime ditatorial, o Palácio de La Moneda. Seis semanas de filmagens resultaram em sete mil metros de película, transformados mais tarde em um filme de quatro horas para televisão e outro de duas horas para cinema.
Quem acompanha as minhas leituras já percebeu que eu gosto muito de Romances Históricos. Esta preferência vai de encontro ao meu gosto por livros que me ensinem coisas. Este por exemplo ensinou-me que o 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque, não foi o único 11 de Setembro que a História Mundial conheceu. Em 1973, o Chile conheceu o seu 11 de Setembro, dia do golpe de estado que derrubou Salvador Allende. Mas passando ao livro propriamente dito. Olhando para todo o cenário montado no livro (descrição do país, contexto político e social), toda a obra faz lembrar bastante o tipo de escrita que caracteriza Isabel Allende, com a diferença que não existe o foco específico numa visão mais feminina normal nesta escritora. O facto de este livro ser adaptado de um relato real está bem patente, com descrições de lugares e de situações bastante precisas e meticulosas. Tal como me acontece nos livros de Allende, senti que por momentos estava com Littín a passear pelo Chile. Por último, queria focar o trabalho da tradutora da obra, Margarida Santiago, que com notas explicativas de rodapé tornou mais claros para o leitor alguns elementos do texto como expressões e elementos culturalmente específicos do Chile, títulos de canções, etc. Para quem quiser aprender um pouco mais sobre o Chile de Salvador Allende e Augusto Pinochet, este é um livro excelente.
Classificação: 4/5
“Mas o que perdura na memória das poblaciones não é tanto a sua imagem como a grandeza do seu pensamento humanista. “Não nos importa acasa nem a comida, mas sim que nos devolvam a dignidade”, diziam. E concretizavam:
– A única coisa que queremos é o que nos tiraram: voz e voto.”

2 pensamentos sobre “A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s