A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho

Esta pequena obra (não chega às 90 páginas) reúne seis contos publicados pelo autor em 1983. O mais conhecido de todos é o que vem a dar o nome a esta colectânea, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho. Nesta pequena narrativa relata-se as consequências da mistura de duas datas, 4 de Junho de 1148 e 29 de Setembro de 1984, causada pela momentânea sesta de Clio, a musa da História. Assim, em plena Av. Gago Coutinho encontraram-se automobilistas do séc. XX e guerreiros do séc. XII. Assustados com a situação, os guerreiros muçulmanos prepararam-se para a batalha o que levou à intervenção da polícia e do exército. No momento exacto em que os dois povos iriam começar a guerrear, Clio acordou e rapidamente devolveu cada povo à sua época, limpando-lhes as memória.
Apesar de esta obra fazer parte do programa escolar de Língua Portuguesa, não me recordo de alguma vez a ter estudado nesse contexto. Mas como diz o sábio povo “Mais vale tarde do que nunca”. Esta faceta mais “contista” dos autor é uma faceta diferente da que abordei o ano passado. Este conjunto de contos começa por textos curtos (o mais curto tem 3 páginas) e com o avançar da colectânea o tamanho dos mesmos vai aumentando (o mais longo tem cerca de 17 páginas). Com a excepção do último conto, que incorpora elementos mais do domínio da lenda, todos os restantes textos apresentam elementos predominantemente ligados ao nonsense, como elevadores cuja última paragem é no Céu ou tartarugas no topo de edifícios. Encontrei apenas um ponto negativo que gostava de focar. No conto Pede poena claudo, o autor coloca em nota de rodapé um aparte que se torna demasiado longo, o que corta a dinâmica de leitura desse mesmo conto. Com mais esta boa surpresa, Mário de Carvalho é um autor para continuar a conhecer.
Classificação: 4/5
” – É que, sabem, não é por acaso que as palavras são como são. Vejam, por exemplo a palavra gatuno e a palavra ladrão. Só aparentemente é que significam a mesma coisa, porque gatuno quer mais dizer o que se introduz a roubar subtilmente, sem ruído, pela sorrelfa, como o gato. Daí… gatuno, igual a gato + uno. Pelo contrário, o que rouba com ruído, com estardalhaço, procedendo como o cão que ladra, chama-se ladrão, que vem de ladrar + ão. Não meus caros, o povo é sábio, nunca inventa palavras à toa. O povo é esperto.”

Um pensamento sobre “A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho

  1. Mário de Carvalho é um nome grande da literatura portuguesa que continua a ser um pouco negligenciado. A sua escrita é leve e muito divertida, sem deixar de pôr o dedo em certas feridas.
    Gostei muito deste livro mas gostei ainda mais de “Era bom que trocassemos umas ideias sobre o assunto”

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