O Carteiro de Pablo Neruda

Mario Jiménez é um jovem pescador na Ilha Negra, Chile. Cansado de ouvir as constantes recriminações do pai no sentido de arranjar trabalho, decide candidatar-te ao lugar de carteiro da ilha. Mario tem a seu cargo entregar a correspondência a um só cliente, um ilustre cliente: o poeta Pablo Neruda. A amizade entre os dois começa tímida, fruto do interesse de Mario pela poesia e pelas metáforas. Mas quando Neruda lhe dedica um livro, a amizade dos dois estreita-se ao ponto de o velho poeta escrever poemas para Beatriz, a amada de Mario. Com a entrada de Pablo Neruda no mundo da política e com todos os acontecimentos que marcaram a história do Chile, o enredo conhece o seu desfecho.
*Atenção: Contém spoilers*
Tanto o filme como o livro são obras bastante conhecidas do público em geral, nem que seja de ouvir falar delas. Apesar de nunca ter visto o filme, tive sempre a curiosidade de ler o livro. Esta pequena obra (140 páginas) tem uma escrita muito simples mas muito poética, entrando em consonância com o tema da própria obra. Confesso que os vários pedaços de poemas do escritor chileno espalhados pelo texto deixaram-me com vontade de me aventurar pela sua poesia. Mas, no entanto, existem algumas notas negativas a ensombrar a obra. Skármeta desenvolve pouco a parte histórica da obra, apresentando apenas os factos mais básicos relacionados com o governo de Salvador Allende, a sua morte e a consequente implantação da ditadura militar encabeçada por Augusto Pinochet. Apesar de esse ser um tema recorrente nos autores chilenos contemporâneos, gostava de o ter visto um pouco mais aprofundado neste livro. O segundo ponto está relacionado com o desenvolvimento do enredo em si. A partir do momento em que Mario consegue casar com Beatriz, o enredo ganha uma dinâmica rápida demais, como se Skármeta estivesse com pressa de alcançar o desfecho que o próprio pensou para a obra. Os vários momentos que acontecem de meio para o fim do livro são tratados com demasiada leveza, retirando profundidade ou substância ao texto. Por último, seria injusto da minha parte não salientar o trabalho do tradutor da obra, José Colaço Barreiros, que conseguiu trazer poesia a um texto que, maioritariamente, fala de poesia. Concluindo, este seria um livro fantástico se não fosse tratado tão ao de leve.
Classificação: 3/5
” – Não há pior droga que o blá-blá. Faz uma taberneira de aldeia sentir-se como uma princesa veneziana. E depois, quando chega a hora da verdade, o regresso à realidade, reparas que as palavras são um cheque sem cobertura. Prefiro mil vezes que um bêbedo te apalpe o cu no bar, a que te digam que um sorriso teu voa mais alto que uma mariposa!”

3 pensamentos sobre “O Carteiro de Pablo Neruda

  1. Bárbaro! e o trecho que você escolheu é um dos meus prediletos! Aqui, foi lançado há séculos com o título poético de Ardente Paciência. Depois do filme, O carteiro e o Poeta, ótima adaptação, pois, com a morte real do ator que fez o carteiro durante as filmagens, o filme é invertido, morre o carteiro em protestos, e não o poeta, e é passado na itália e não no chile, mas a adaptação funciona, enfim, o livro passou a se chamar O carteiro e o Poeta. Uma das maravilhas desse livro é verificar a perfeição da escrita. Pode abrir olivro a esmo e apontar. As três palavras consecutivas serão perfeitas entre si. Livo pra se ler em voz alta!!! E deixar as lágrimas brotarem naturalmente. Além desse capítulo que você apontou, a gravação dos sons do Chile é coisa de mestre!

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