Os Sete

Durante uma sessão de mergulho, Tiago e César, dois jovens da cidade de Amarração (Brasil), descobrem uma caravela naufragada. Após alguns estudos, chega-se à conclusão que aquela caravela é do tempo dos Descobrimentos Portugueses, provavelmente do reinado de D. Manuel I. No interior da caravela está uma sólida caixa de prata com uns estranhos escritos:
“Lobo, Tempestade, Inverno, Gentil, Espelho, Acordador, Sétimo.”
e
“Nobres homens de bem, jamais ouseis profanar este túmulo maldito. Aqui estão sepultados demônios viciados no mal e aqui devem permanecer eternamente. Que o Santo Deus e o Santo Papa vos protejam”.

Dentro dessa mesma caixa estão sete corpos bastante bem conservados e aparentemente inofensivos. Mas quando um acorda e estes estranhos corpos se revelam serem vampiros, todo o enredo toma um rumo diferente. A partir desse momento surgem tramas paralelas que se acabam por cruzar noutro ponto da história. De um lado temos a fuga de Tiago e Eliana dos vampiros; do outro, a busca incessante dos vampiros por Eliana, a sua “mãe de sangue”.
*Aviso: contém spoilers*
Eu continuo a não ser grande fã do sobrenatural, histórias de vampiros, etc. Mas falaram-me tão bem deste livro que, aliado ao facto de os vampiros da história serem portugueses, decidi arriscar na leitura. Mais uma vez, a escrita de André Vianco não me desiludiu. É uma história bem construída, com uma escrita fluida (apesar de alguns entraves naturais das diferenças linguisticas entre o português de Portugal e o português do Brasil) e com todos os elementos do sobrenatural bem explicados, não deixando margem a “pontas soltas”. Um elemento que eu achei interessante no enredo foi a inclusão de factos da História de Portugal para explicar momentos chave da vida dos vampiros, conseguindo de alguma forma explicar e enquadrar a presença de alguns elementos como a caravela, por exemplo. Sobre as personagens vampíricas, existem alguns pontos que gostava de frisar. O primeiro é que André Vianco criou estes vampiros muito “brigões”. Qualquer pequeno desentendimento entre eles era motivo para se pregarem logo ao soco. O segundo é a excessiva ingenuidade dos mesmos. Apesar destes nossos amigos “chupadores de sangue” terem ficado quase 500 anos fechados na caixa de prata, a surpresa face a toda a tecnologia do séc.XX fá-los fazer perguntas atrás de perguntas como se fossem criancinhas curiosas. Por fim, existe um último ponto que me deixou a pulga atrás da orelha. André Vianco aproveita para puxar um pouca “a brasa para a sardinha” da sua cidade natal, Osasco, usando-a como ponto de fuga para Tiago e Eliana. Com tanta cidade no Brasil para se fugir, aqueles dois tinham que ir justamente para Osasco?! Será uma referência propositada ou aleatória? Reunindo todos os factos, este é um livro que eu recomendo a quem gostar de uma boa história de vampiros.
Classificação: 4/5
“Apesar dos olhos bizarros de Inverno, o medo abandonara sua mente, e algum processo instalara-se em seu cérebro, nivelando aqueles seres a uma espécie de vermes a se liquidar. Não eram dignos de seu medo. Eram algo do passado, que deveriam voltar no tempo e aterrorizar camponeses portugueses, não a ele ou sua amiga. Poderia perder a vida, mas não lhes daria o gosto de experimentarem seu medo.”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s