Budapeste

José Costa é um ghost-writer, alguém que escreve um texto (um artigo de jornal, um livro, um discurso, um trabalho académico, etc.) que depois vai ser assinado por outra pessoa. O fascínio de José por Budapeste e pelo magiar começa quando é forçado a fazer uma escala na cidade no regresso de um congresso de ghost-writers na Turquia. E é esse mesmo fascínio que o leva a viver uma louca vida dupla, ora no Rio de Janeiro com Vanda e o filho Joaquim, ora em Budapeste com Kriska e o filho Pisti, no sentido de entrar nos meandros da língua e domina-la por completo.
Antes de começar a dar a minha opinião sobre esta obra, não posso deixar de referir a coincidência de ter começado a lê-la precisamente na semana em que o filme baseado nela foi lançado nas salas de cinema portuguesas. Quando ao livro em si, a minha formação académica como tradutora e o meu gosto por línguas ajudou a criar uma empatia especial por José Costa, a personagem principal. Existem tantos idiomas fascinantes no mundo que a vontade de sabe-los e comunicarmos através deles é enorme (eu própria adorava dominar por completo o italiano por ser uma língua tão melodiosa, por exemplo). A escrita do autor remete em certos momentos para a vertente musical do autor, já que é ritmada e com alguma melodia resultante de rimas internas no correr do texto. Mas existe algo que, na minha opinião, tira um pouco a magia ao livro. O enredo, em certo ponto, torna-se demasiado confuso e chega mesmo a ter momentos completamente alheios à realidade. *alerta de spoiler* Quem é que passa 100 dias num hotel sem pagar a despesa e não é expulso do mesmo? *fim de spoiler* À semelhança do que aconteceu com Estorvo, Chico Buarque volta a não me convencer.
Classificação: 3/5
“Mas antes de fixar e de pronunciar direito as palavras de um idioma, é claro que a gente já começa a distingui-las, capta seu sentido: mesa, café, telefone, distraída, amarelo, suspirar, esparguete à bolonhesa, janela, peteca, alegria, um dois, três, nove, dez, música, vinho, vestido de algodão, cócegas, maluco, e um dia descobri que Kriska gostava de ser beijada no cangote.”

4 pensamentos sobre “Budapeste

  1. Sempre admirei o cantor e compositor Chico Buarque, mas ainda não conheço o escritor Chico Buarque. NÃo tenho dúvida quanto à sua capacidade intelectual, mas os seus livros não me atraem. Sou um fanático por Romances históricos e Literatura Fantástica… Um dia ainda crio coragem e me aventuro em suas obras….

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