O Último Legado

Após a denúncia por parte do Procurador Geral da Republica em horário nobre sobre a existência de células de organizações de crime organizado a operar em Portugal, este é vítima de um atentado. Quando o inspector da PJ Bruno Salgado toma conta do caso, outras duas mortes transportam a trama desta obra para a Alemanha Nazi, mais concretamente para o projecto megalómano de Adolf Hitler de criar um Museu em Linz. Esse mesmo museu seria composto por centenas de obras de arte, confiscadas e compradas a galeristas ou marchants de arte judeus, que reflectissem a visão nazi. Para adensar ainda mais a trama, surgem na história duas personagens ligadas ao Procurador: Álvaro Costa, seu melhor amigo nos anos de Liceu e Susana Prado, uma pintora com um gosto especial por Van Gogh e que foi uma das muitas namoradas partilhadas pelos dois amigos.
Este é um daqueles livros que é algo complicado de compartimentar. Se por um lado esta é claramente uma obra de ficção, por outro existe uma mistura de romance histórico com mistério. É uma obra que percorre, de um modo superficial ou mais aprofundado, três épocas distintas: Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria e Pós-Guerra Fria. Olhando para a mesma, percebe-se que o tema que o autor explora abre um número alargado de possibilidade de desenvolvimentos, pelo que se as acções não tivessem acontecido daquela maneira, poderiam ter acontecido de modo diferente levando a trama por rumos opostos aos que levou. Claro que não ponho em causa a intenção do autor, visto que, na minha opinião, o autor criou um cenário credível e recheado de mistério, que deixa o leitor curioso para saber quais serão os próximos movimentos das personagens. O autor tem uma escrita coerente, fácil de ler e capaz de criar imagens bastante marcadas na mente do leitor. No entanto, existem alguns pontos menos positivos a referir. O início da obra revela-se um pouco confuso com a sucessão de acções em locais completamente diferentes (num capítulo estamos no Guincho, no seguinte passamos para Lisboa, “voamos” para Florença, para depois voltar de novo ao Guincho). No campo da linguagem, existem algumas palavras que me parecem um pouco fora do contexto e em certas passagens o nível de linguagem utilizado soa-me um pouco exagerado. No compto geral, é um livro interessante que explora pormenores pouco divulgados da História Mundial.
Classificação: 4/5
“Alain desconhecia que não fora o único a falhar. Mas ainda que soubesse, o consolo era frágil: um velho arguto, espião formado na escola de Berlim, não podia escorregar de modo tão infantil. Pior do que perder a presa, era sentir-se ridículo, esquartejado no orgulho, imaginando mil vezes Karl e o outro rindo desbragadamente do caricato da cena.”

Um pensamento sobre “O Último Legado

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