O Espólio do Senhor Cipriano

Em mais um volume dos Livros RTP, foram compiladas quatro novelas presentes na obra intitulada Serões da Província, dadas à estampa em 1870. A primeira novela dá o nome a esta compilação, O Espólio do Senhor Cipriano. Nela conta-se a história de Cipriano Martins, um homem com fama de avarento que, na hora da sua morte, deixa a irmã sem meios para lhe providenciar um funeral condigno. A segunda novela chama-se As apreensões de uma mãe, onde se conta a história de D. Margarida de Entrearroios e da decisão do futuro académico de seu filho Tomás. A terceira novela, intitulada Os novelos da Tia Filomena, conta a história de uma velha senhora de seu nome Filomena que, pelos seus costumes e trejeitos, é apelidada de bruxa. Por fim, a última novela dá pelo nome de Uma flor de entre o gelo. Nela se relata as vivências de uma pequena comunidade de enfermos situada junto a uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Saúde.
Todas estas quatro novelas têm as suas particularidades, mas num compto geral todas elas são interessantes. Alguns momentos de duas destas novelas podem ser um pouco mais chatos ao leitor, já que se prendem com divagações algo filosóficas do autor. No que toca a temas, as realidades que o autor relata são-me de algum modo familiares, já que aborda pontos de vista da sociedade mais voltados para a ruralidade, a simplicidade e ao mesmo tempo a rudeza das vivências das pessoas do campo. Mais uma vez, gostei bastante do modo de escrita do autor. São textos de certo modo empáticos, que transmitem sensações aos leitores de maneira a que os mesmos sintam, mesmo que alegoricamente, os cheiros do campo ou que visualizem as cores verdejantes do mesmo. Com esta pequena obra concluo que é sempre bom voltar a Júlio Dinis.
Classificação: 4/5
“Desde que uma crença consegue radicar-se verdadeiramente na imaginação do povo, dificil é ao poder dos séculos eu à evidência dos factos desarreigá-la. Parece que à medida que um por um se vão quebrando os laços que a prendiam à razão e diminuindo a plausibilidade que dos espíritos sensatos a fazia ainda aceite, mais atractivos ela ostenta à fantasia popular, sempre afeiçoada ao maravilhoso e impelida a correr atrás de uma destas sedutoras ilusões, com as crianças a perseguirem borboletas através das campinas.”

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