Razões de Coração

Álvaro Guerra inspirou-se em anotações escritas nas margens de um calendário litúrgico ali deixadas por um frade franciscano arrábido, Frei Pedro Taveira, para escrever este romance. Após um longo percurso de pesquisa no que diz respeito à época retratada, o autor começa a sua obra com o episódio sobejamente conhecido da História Nacional da partida da Família Real Portuguesa para o Brasil aquando da primeira Invasão Francesa. Sem um exercito nacional para o deter, Junot entra no território e começa a conquistar terreno até ao momento em que se formam revoltas populares e chega ajuda vinda dos eternos aliados Ingleses. Paralelamente a este enredo histórico, desenrola-se um outro, onde acontece uma história de amor. Ela é Mariana Maldonado, uma fidalga portuguesa apaixonada pelas “luzes” da Revolução, luta contra o Portugal rural, realista à moda antiga, que nada sabe sobre o que vai por esse mundo e que se acobarda perante o terror jacobino. Ele é Philipe de Villepin, um capitão de dragões do exército de Junot que debate-se com o cansaço de 14 anos de guerras, caminhadas intermináveis pela Europa inteira, provações, insónias e ferimentos. 
Existem muitos momentos da História de Portugal que me despertam a curiosidade. As Invasões Francesas  e a Revolução Liberal são alguns deles, daí a minha opção por esta obra em particular. No que diz respeito ao enredo histórico, é um livro interessante. A pesquisa do autor está bem visível nos detalhes meticulosos no que diz respeito a roupas, locais, costumes ou modos de falar. Mas, tirando isso, todo o livro é chato. Numa primeira abordagem ao mesmo, notei que toda a estrutura do texto (início dos capítulos, modo de organização dos mesmos) tinha enormes semelhanças com a estrutura das Viagens na Minha Terra de Garrett. Talvez por influência desta semelhança, toda a história me pareceu tão chata como a do referido livro, tornando a leitura do mesmo um exercício a roçar o suplício.
Classificação: 2/5
“O medo. É uma víscera não inventariada pela anatomia, a dor dum laço corrediço que começa nas tripas e se aperta na garganta seca, uma ânsia que confunde as entranhas do ventre com o pulsar do coração, a consciência do perigo com os impulsos da sobrevivência animal. Porque não há herói sem sorte e sem o medo, que é esta reacção química natural de todo o suco que circula no corpo dum homem ameaçado e se expande em cada fibra e nervo que ordena os movimentos e comanda as sensações.”

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