O Arco de Sant’Ana

  O Arco de Sant’Ana é um romance histórico que se desenrola no século XIV e que retrata aquilo que se julga ser uma lenda ou anedota medieval. A mesma relata que D.Pedro I terá açoitado e despojado o bispo dos símbolos eclesiásticos em pleno paço, perante o olhar de uma multidão. No tempo em que o bispo do Porto era o chefe supremo daquele feudo, este manda os seus lacaios, encabeçados pelo chefe da guarda Pêro Cão, raptar a jovem Aninhas. Tendo a vizinha e amiga Gertrudinhas, namorada do protegido do bispo, o jovem estudante Vasco, dado o alarme e lhe ordenado que fosse buscar auxílio junto do Rei, o mancebo dirige-se a Gaia para se encontrar a bruxa Guiomar, que o irá ajudar a fazer entrar D. Pedro no Porto na calada da noite. O povo revoltou-se e cercou o paço episcopal para exigir a libertação de Aninhas, levando na frente dos contendores Vasco, que empunhava o estandarte da cidade.
São várias as pessoas que conheço que, apesar de terem amor pela leitura, nos tempos de escola ficaram com um certo amargo de boca quanto à obra de Garrett, nomeadamente por causa das Viagens na Minha Terra. Eu insiro-me nesse grupo. A aquisição desta obra foi, da minha parte, uma tentativa de reconciliação com um autor considerado um vulto de renome na literatura lusófona. Mas como diria o poeta, ledo engano. Aos meus olhos, as obras de Garrett continuam a ser o mesmo suplício na hora de ser lidas. A escrita é demasiado trabalhada, com floreados a mais, uma escrita cansativa e chata. O autor continua a colocar no meio do texto apartes desnecessários e o enredo desta obra em particular é bastante previsível. Mesmo antes do capítulo onde se revela o passado de algumas personagens já tinha conseguido deslumbrar quais as ligações de parentesco que as uniam. Salvam-se, no entanto, as críticas à sociedade que Garrett semeou ao longo do texto e que parecem sempre bastante actuais no que diz respeito ao quotidiano português.

Classificação: 2/5

“Ia crescendo o tumulto, e iam-se ouvindo, mais claros e distintos, os brados da multidão, porque ela se ia aproximando do arco, o bendito Arco da Senhora Sant’Ana, onde parece que todo o movimento daquele dia tinha de concentrar-se: como se a santa, ofendida pelo inaudito desacato que ali se tinha cometido, ali quisesse ver rebentar os tremendos efeitos da sua justa indignação”

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