A Arte de Morrer Longe

Bárbara e Arnaldo são um casal que, estando em pleno processo de divórcio, começa a dividir todos os seus pertences, local da casa onde dormir inclusive. Quando achavam que estava tudo dividido eis que surge algo que ainda não foi chamado à contenda, a tartaruga comprada a dois que cresceu de mais e passa os dias a embater com a carapaça no vidro do aquário. Esta simples premissa é o ponto condutor de toda uma história onde caracteriza uma sociedade povoada de exemplos claros daquilo que pode ser designado como a “chico-espertice”, onde a mãe é uma senhora com tiques burgueses mas com a cabeça povoada de preconceitos, o namorado da mãe é um agente da polícia 15 anos mais novo um tanto oportunista e onde os locais de trabalho de ambos são lugares chatos onde a Internet é o único escape para um ambiente de competição pouco saudável e manipulação.
A aquisição desta obra foi um completo tiro no escuro. Na altura do seu lançamento vi referências sobre ele nos vários blogs que visito, mas acabei por não aprofundar as informações sobre ele. Na Feira do Livro do Porto deste ano deparei-me com ele e tudo me pareceu interessante, o título, a capa com a silhueta da tartaruga. A própria escrita de Mário de Carvalho me era desconhecida, tendo apenas referências do autor por causa dos prémios que já ganhou. É um livro pequeno (125 páginas) mas que agarra o leitor pela maneira como é exposta toda a trama, apesar de a mesma parecer um pouco estranha com tanto plano de história misturado. A escrita é, a meu ver, muito limpa, nem muitos artifícios de linguagem o que torna o ritmo de leitura rápido e agradável. Mas o que mais me agradou na escrita de Mário de Carvalho foi a ironia e o humor bem refinado com que o autor escreveu. São várias as passagens em que, nas entrelinhas, são dados uns “chega-para-lá” a outros autores. Aguçou-me, sem dúvida, a curiosidade para ler mais livros da sua vasta obra.
Classificação: 4/5
“Abaixo os expedientes para introduzir uma narração à conta de um adormecimento. Ponto de exclamação. O leitor é mais experimentado que eu nestes artifícios e sabe bem como o momento de adormecer é perigoso para as personagens, porque os autores costumam atormenta-las com analepses. Às vezes, basta apanharem-nas distraídas, a olhar para qualquer objecto. Um daqueles bolos a que chamam madalena, por exemplo…”

Um pensamento sobre “A Arte de Morrer Longe

  1. Acabei também de ler este livro e concordo em absoluto com o que escreveu. É um livro divertidissimo e sério a seu modo. estou a ficar fã de Mário de Carvalho🙂
    Mas há coincidências do “arco da velha”. Acabei de ler este, tal como a Isabel e comecei hoje aquele que a Isabel leu antes: A Máquina de Fazer Espanhóis🙂 Veremos se a opinião também coincide…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s