O Cemitério de Raparigas

Toda a narrativa gira em torno do relato de Fernando sobre a sua vida, centrando-se maioritariamente nas mulheres que a preencheram. Mas este relato tem as suas paticularidades. Para Fernando, os nomes de Margarida, Joana ou Catarina são apenas palavras gravadas nas lápides do cemitério que vai construindo.
São vidas que morreram nos quartos que ocupou com elas mas cujos passos continuam a ser dados noutros lugares, pirncipalmente dentro da sua própria cabeça. Enquanto recorda, vai-se auto-destruindo. Afoga-se na bebida, nas dorgas e nos corpos de mais outros nomes cujas caras pouco importam. Elas serão apenas palavras que decorarão mais um túmulo que ele visitará.
Até aos dias de hoje, o conhecimento que tinha da escrita de Miguel Esteves Cardoso, a quem a sociedade literária denomina “carinhosamente” por MEC, através de crónicas avulso. Por isso adquiri esta obra na base da mera curiosidade. A história com que me deparei tem contornos estranhos. Em certos momentos, a vida de Fernando parecia um terminal de autocarros, em que as mulheres, personificando os ditos, partiam e chegavam a uma velocidade desenfreada. Tudo era pretexto para acrescentar mais uma mulher ao longo historial. Por isso, o único conteúdo mais evidente que se pode tirar desta “salada de nabos” (perdoem-me a expressão) é uma tentativa de interpretar as relações humanas. Mas houve algo de me chamou a atenção, fazendo com que estivesse salva, de alguma maneira, “a honra do convento”. Gostei bastante da escrita de Miguel Esteves Cardoso. Uma escrita limpa, algo rude, sem artíficios, sem “fru-fru’s nem gaitinhas”, sem medo que usar o calão a quantidade de vezes que lhe der na real gana. Fico na dúvida se quero voltou ou não uma próxima vez à escrita deste autor.
Classificação: 2/5
“A morte é fácil de fingir, desde que esteja vivo, e ausente, e triste. É preciso aproveitá-la. Quando me ponho a pensar no meu cemitério de raparigas, o que me faz saudades e feliz é o facto de estarem todas vivas, mas longe, podendo eu estar com elas, quando quisesse, sobretudo quando há outra rapariga, com a qual não quero estar, ao pé de mim.”

Um pensamento sobre “O Cemitério de Raparigas

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