A Correspondência de Fradique Mendes

Carlos Fradique Mendes nasceu na Ilha Terceira. Por morte prematura dos pais, Fradique foi educado pela avô, D. Angelina Fradique. Aos 16 anos entra para a Universidade de Coimbra, sendo colega de Antero de Quental e do próprio Eça de Queirós. Em 1867 já era um homem viajado e experiente, um modelo para os demais intelectuais da Geração de 70. Na verdade, Carlos Fradique Mendes foi uma personagem inventada por diversos nomes sonantes da cultura da época, como são os casos dos autores acima mencionados. Citando um pequeno excerto do capítulo de Memórias e Notas, Fradique “foi um devoto de todas as religiões, o partidário de todos os partidos, o discípulo de todas as filosofias”, pelo que o conteúdo das suas cartas é diversificado. Supondo que a parte epistolar da obra de Fradique foi produzida pelo escritor da Póvoa de Varzim, nota-se nas cartas em que fala de Portugal a dicotomia entre critica à sociedade burguesa de imitação/apologia ao mundo rural saudável e genuíno.
O meu primeiro contacto com esta personagem deu-se na faculdade, aquando da análise de uma das cartas numa aula de Expressão e Comunicação. Já este ano, a leitura de Nação Crioula – A Correspondência Secreta de Fradique Mendes do angolano José Eduardo Agualusa abriu o apetite para conhecer as “verdadeiras” cartas de Fradique Mendes. Como disse noutras ocasiões, o género literário baseado em cartas não é o meu preferido mas este livro em particular agradou-me, não só pela escrita, mas também pelo conteúdo. Como afirmei mais acima no texto, algumas das cartas, principalmente as que Fradique escreveu à madrinha, Madame de Jouarre, transparecm o estilo muito caracteristico de Eça de crítica social, apontando o dedo a situações e comportamentos. Estão também neste volume uma série de cartas que Fradique escreve a Clara, uma dama que ele conhece num evento em casa da madrinha, a quem declara todo o seu amor e fascinação. Um livro interessante, diferente daqueles que Eça escreveu e deixou para a posteridade.
Classificação: 4/5
“Todo o culto sincero, porém, tem uma beleza essencial, independente dos merecimentos do deus para quem se evola.  Duas mãos postas com legítima fé serão sempre tocantes – mesmo qando se ergam para um santo tão afectado e postiço como S. Simeão Estilita.”

Um pensamento sobre “A Correspondência de Fradique Mendes

  1. Depois de ter lido a tua opinião sobre o “Nação Crioula – A Correspondência Secreta de Fradique Mendes” do Agualusa, fui à estante da sala buscar este do Eça de Queirós, para o ler. Ainda não o fiz, agora que a tua opinião é boa, brevemente vai passar para a mesa de cabeceira. 🙂

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