Para Além da Razão

Em pleno Alentejo existe uma quinta com um enorme lago, elemento natural esse que deu o nome ao local onde se passa toda a trama deste livro, a Quinta do Lago. Dizem as vozes do povo que por trás desta quinta existe uma lenda que depressa se converteu numa espécie de maldição. Inexplicavelmente, aquando da morte de um pai da família Vaz, apenas se mantinha vivo um filho homem, mesmo que a família fosse constituida originalmente por vários irmãos. Nesta história, acompanhamos a vida de uma nova geração da família Vaz, composta por António, o pai; Leonor, a mãe que maldiz todos os dias a sua sorte de estar afastada de tudo e todos; e os filhos, Ana, uma cópia em ponto pequeno da mãe; Alexandre e Clara, cuja ligação é aparentemente indestrutível. Nela iremos perceber se a maldição da Quinta do Lago se vai cumprir mais uma vez ou não.
Mais uma autora que me era desconhecida e que conheci através da rede Goodreads. Após a leitura deste que é o primeiro livro escrito pela L.C. Lavado, são vários os pontos positivos que tenho a apontar. O primeiro passa pelas personagens bastante estilizadas, que demostram bem a dicotomia entre o amor pelo Alentejo (António, Alexandre e Clara) e o total desprezo por aquelas terras (Leonor e Ana). O segundo ponto, aquele que mais me envolveu na história, é a escrita muito simples e fluída, num tom que faz lembrar as conversas que temos nas nossas casas com as nossas famílias. O terceiro e último ponto prende-se com o curso temporal que se apresenta coerente e sem saltos estranhos que perturbem a história. Mas nem tudo são rosas nesta obra. Uma das coisas que me fez alguma confusão foi o facto de, em alguns momentos da acção, aquilo que correspondia ao diálogo das personagens e aquilo que correspondia aos seus pensamentos serem um pouco difíceis de distinguir. A outra, que apesar de nos momentos mais animados da narrativa ter passado ao lado, são os erros ortográficos, fruto de falta de revisão, segundo o que me confessou a autora. E por fim, o final. Mas que final, Deus meu! Quando no decorrer da história se encontra uma referência ao livro de Eça de Queirós “Os Maias”, logo na minha mente começou instantaneamente a pairar sobre as cabeças de dois dos irmãos uma aura de desgraça. Mas nada previa um final como este. Foi como se a autora pegasse num pacote de drama e o despejasse por completo sobre os capítulos finais. Achei-o demasiado exagerado, mesmo estando a prever que ia acabar mal.
Num compto geral, achei uma obra interessante e com os ingredientes necessários para prender os leitores às páginas.
Classificação: 4/5
“Resignada com a despedida relâmpago a que teve direito, Clara limitou-se a acenar maquinalmente a mão em sinal de adeus a Ana que já estava dentro do carro há mais de dez minutos. Ao lado do pai observava a saída triunfante da mãe que se assemelhava a uma exilada que após vários anos tinha conseguido autorização para regressar ao seu país. A dimensão da aversão que a mãe tinha àquela terra só era comparável à dimensão do amor que o pai sentia pela mesma. «É de facto uma mulher demasiado dramática para estar confinada a uma vida simples no campo.» Pensava ao assistir ao desaparecimento do carro ao longe.”

2 pensamentos sobre “Para Além da Razão

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