Nação Crioula – A Correspondência Secreta de Fradique Mendes

Tal como o subtítulo indica, neste livro podemos ler o lado mais secreto de Fradique Mendes, uma pensonagem criada pelo Cenáculo, grupo de intelectuais de que faziam parte Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, estre outras personalidades. São apresentadas as cartas que Fradique endereçou à sua madrinha, a Ana Olímpia, com quem teve um romance, e ao próprio Eça de Queirós. Nesta obra misturam-se factos reais, como o nome do último braco negreiro que dá o nome a esta obra, “Nação Crioula”, com elementos da ficção, onde as personagens travam uma intensa batalha para abulir a escravatura em Angola.
Adquiri este livro tendo em conta o autor, José Eduardo Agualusa, sem fazer ideia daquilo que me esperava. Confesso que os romances epistulares não estão dentro das minhas preferências. Acho-os de alguma maneira parados, com pouco desenvolvimento de acção. Mas a personagem em questão, Fradique Mendes, já minha conhecida, apesar de pouco desenvolvida,das aulas de Português. Gostei do conteúdo histórico que Agualusa colocou na história, mesmo tendo um fundo ficcionado. E claro, as características cromáticas da escrita estão bem presentes em diversas descrições ao longo do livro. Com este livro fiquei com vontade de ler as “verdadeiras” cartas de Fradique Mendes, as que Eça de Queirós escreveu.
Classificação: 4/5
“Trabalhar ninguém trabalha em Luanda a não ser os escravos; e fora da cidade trabalham os, assim chamados, “pretos boçais”. Trabalhar representa portanto para o Luandense uma actividade inferior, insalubre, praticada por selvagens e cativos. “Fulano vem de uma família trabalhadora” ouve-se dizer às vezes em voz baixa, venenosa, à mesa sombria de um café. É uma insinuação cruel, capaz de destruir reputações, pois sugere que o visado só há pouco tempo comprou o primeiro par de sapatos e provavelmente descende de escravos.”

3 pensamentos sobre “Nação Crioula – A Correspondência Secreta de Fradique Mendes

  1. É engraçado porque hoje postei também no meu blog uma crítica deste livro, que acabei hoje mesmo de ler.
    Concordo inteiramente com a pontuação que lhe atribuiste. E gostei imenso da ideia da Visão por criar esta colecção. Temos fácil aceso a livros de autores conceituados da nossa língua materna.

  2. Acabei de ler este livro a semana passada e assim que o terminei fiquei com a mesma curiosidade e vontade que tu. Daí agora estar a ler “A correspondência de Fradique Mendes”, de Eça de Queirós.🙂

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