O Meu Pé de Laranja Lima

Zezé, um menino de cinco anos, pertencia a uma família muito pobre, que passava muitas necessidades. A família era muito numerosa, por isso as irmãs mais velhas tomavam conta dos mais novos. Zezé era um menino muito interessado pela vida, adorava saber e aprender coisas novas e novas palavras que aprendia com o Tio Edmundo. No entanto, passava a vida a fazer traquinices na rua, a pregar partidas aos outros, acabando por ser castigado e repreendido pelos pais ou pelos irmãos, que passavam a vida a dizer que era um mau menino, sempre a fazer maldades. Ao mudarem de casa, Zezé encontra no quintal da sua nova moradia um pequeno pé de laranja lima. Inicialmente a idéia de ter uma árvore tão pequena não lhe agradava muito, comparado com as árvores que os irmãos escolheram, mas à medida que este vai convivendo com a pequena árvore e ao desabafar com esta, repara que ela fala e que é capaz de conversar consigo, tornando-se assim um grande amigo, um confidente, aquele que lhe dava todo o carinho que Zezé não recebia em casa da sua família.
Tenho vagas memórias de infância da série brasileira “Meu Pé de Laranja Lima”. Enquanto procurava e-book’s de um outro autor, deparei-me com este e resolvi fazer download deste também. Se por um lado tinha curiosidade, por outro lado já tinha lido algumas opiniões de outros bloggers no sentido de leitura marcante que esta pequena obra se torna. Pois bem, não inventaram nem um só minuto. Este é o tipo de livro que marca qualquer um. Olhando para a história e para a conjuntura actual, percebe-se que se fosse escrita nos dias de hoje, adaptava-se perfeitamente à nossa realidade. Uma família que passa dificuldades, um dos seus membros que passa pela chaga do desemprego, crianças que não podem ter os confortos que uma criança merece. Com o correr das páginas, foi se formando um nó na minha garganta, aquele nó que se sente quando se está triste e só apetece chorar. Um livro que em certos aspectos chega a ser cruel, como quando batem no Zezé até ele desmaiar. Um livro que emociona ao ver como um menino de cinco anos em certos momentos consegue ter pensamentos e atitudes tão adultas, como quando pede a Manuel Valadares, o Portuga, para o levar para casa dele, no sentido de a família não ter mais despesas com ele. Um livro que não tem descrição possível, só mesmo lendo e sentindo o pulsar das suas páginas.
Classificação: 5/5
“Não podia deixar de pensar nele. Agora sabia mesmo o que era a dor. Dor não era apanhar de desmaiar. Não era cortar o pé com caco de vidro e levar pontos na farmácia. Dor era aquilo, que doía o coração todinho, que a gente tinha que morrer com ela, sem poder contar para ninguém o segredo. Dor que dava desânimo nos braços, na cabeça, até na vontade de virar a cabeça no travesseiro.”

7 pensamentos sobre “O Meu Pé de Laranja Lima

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