Morte no Estádio

Jaime Ramos, inspector da Polícia Judiciária do Porto, é chamado para investigar o assassinato de um jogador de futebol do FC Porto, assassinado na saída de um bar localizado na Foz. A ele junta-se mais tarde Filipe Castanheira, transferido temporariamente dos Açores para o Continente, afim de investigar uma rede de tráfico de droga no Norte do país. No decorrer das investigações surgem três suspeitos: Alexandra Soares, a viúva; Susana, esposa de um colega de equipa da vítima e sua amante; e Serafim de Morais e Sousa, amante de Susana.
Mais um escritor que para mim era uma novidade. Já tinha ouvido falar por várias vezes desta personagem, Jaime Ramos, uma das que mais figura nos livros de Francisco José Viegas. Este é um livro que se enquadra na categoria dos policiais. Há uma morte, uma investigação, interrogatórios, suspeitos. Mas o que torna o enredo interessante (e o interesse aumenta se o leitor tiver simpatia pelo mundo descrito) é o ambiente que existe como pano de fundo para toda a história. Toda a gente sabe que o futebol é um desporto que move milhões, que desperta muitos amores e outros tantos ódios. Toda a gente consegue também imaginar os jogos de bastidores que acontecem por trás de um clube, de uma equipa ou até de um simples jogo. Por ser uma apreciadora de futebol, foi com especial gosto que percorri as páginas desta obra. A juntar a isso, o facto de se retratarem lugares que conheço, uns melhor que outros, criou uma empatia com a história. Só houve um pequeno contra que estragou por momentos o ânimo de leitura, a imprecisão geográfica que Francisco José Viegas cometeu num dos capítulos, trocando a região geográfica de um dos locais retratados.
Foi um bom começo nas obras deste escritor. Recomendo a quem gostar de policiais.
Classificação: 4/5
“A dor do hábito, dos pequenos hábitos, dos grandes hábitos, a dor que permanece nas estátuas maltratadas em redor dos edifícios da Câmara e do tribunal, onde os carros estacionam e ficam abandonados, de vidros abertos. Ou o prazer dos pequenos hábitos que não sejam refúgio de raiva ou resignação de vencido. Devia existir um sítio assim, uma lei que permitisse a existência de sítios assim, não um paraíso, nem uma circunstância afectiva, nem uma fuga instantânea, um abrigo, porque os abrigos são sempre temporários. Um lugar insignificante registado num mapa de estradas que o separasse de toda a memória, dos desenlaces forçosamente violentos ou controversos, de tudo o que assusta na noite e nos torna pesados.”

3 pensamentos sobre “Morte no Estádio

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