Contos Escolhidos

Nesta edição da Biblioteca Ulisseia, Mª das Graças de Sá reuniu 8 contos que funcionassem um pouco como uma amostra dos temas mais recorrentes em Eça. Em Singularidades de uma Rapariga Loira conta-se o acidente da vida amorosa de Macário, que o narrador ouve da boca do próprio; em Um Poeta Lírico ouvimos a história de um criado de estalagem grego; em No Moinho conhecemos a historia de D. Maria dos Prazeres, uma senhora que passa de um estado de resignação para com a vida a um estado de aproveitamento dos prazeres da vida; em Civilização mostra-se a transformação que a simplicidade pode operar numa pessoa (de salientar que este conto deu origem ao livro A Cidade e as Serras, que já li); em Frei Genebro mostra-se como a morte inocente de um animal pode pesar mais do que uma vida inteira de boas acções; em A Aia conta-se a história de uma ama de leite que num acto de altruísmo e fidelidade com o seu reino, deixa que matem o próprio filho para salvar o príncipe herdeiro; em José Matias conta-se a paixão obsessiva do próprio por Elisa; finalmente, em O Suave Milagre fala-se de três pessoas que precisariam de um milagre e que procuraram Jesus.
Esta faceta mais contista, de que diz Mª das Graças ser Eça de Queirós exímio, era-me até agora desconhecida. E como seria de esperar, não me desiludiu minimamente. Estão nestes textos o estilo e a essência da escrita do escritor da Póvoa de Varzim. Uma curiosidade que pude observar nos textos foi o facto de grande parte das personagens femininas dos contos terem cabelos loiros. Recomendo a leitura.
Classificação: 5/5
“Existe no fundo de cada um de nós, é certo – tão friamente educados que sejamos- um resto de misticismo; e basta às vezes uma paisagem soturna, um velho muro dum cemitério, um ermo ascético, as emuliantes brancuras dum luar – para que esse fundo místico suba, se alargue como um nevoeiro, encha a alma, a sensação e a ideia, e fique assim o mais matemático, ou o mais crítico, tão triste, tão visionário, tão idealista – como um velho monge poeta.”

Um pensamento sobre “Contos Escolhidos

  1. Embora “Os Contos” que li fossem de outra editora, muitos dos contos que aqui referiu também faziam parte da minha edição, confesso que também reparei nesse pormenor dos “cabelos loiros” lembro-me até de comentar isso…
    Vejo que está a seguir uma leitura muito “queirosiana”, eu sou uma grande admiradora de Eça de Queirós também, ainda não li o titulo do seu livro actual, mas espero fazê-lo em breve, quem sabe se o seu “review” não acelerará a minha decisão!

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