Novos Contos da Montanha

À semelhança dos Contos da Montanha, Miguel Torga apresenta nestes Novos Contos da Montanha um conjunto de vinte e duas breves narrativas, centradas em personagens singulares, duras e terrosas como as fragas que pontuam o cenário trasmontano comum a todos estes textos. Nesta obra, o autor ficciona uma realidade à qual se encontra umbilicalmente ligado, imprimindo à acção e às personagens que habitam a história um carácter profundamente humano, dramático e, de certo modo, desesperado.
Mais um livro em que a “receita” inerente às obras de Miguel Torga se mantém. Histórias centradas mais nas pessoas que nos montes, pedaços de vidas de pessoas que podiam existir na vida real, tal a proximidade dos temas que são abordados. Alguns dos contos fizeram-me sorrir, em particular O Artilheiro, onde se reflecte o ancestral costume das aldeias de dar alcunhas às pessoas e às famílias; e Natal que conta a história de um pedinte que procura refúgio numa ermida em noite de Natal. Um livro lindíssimo, que recomendo.
Classificação: 5/5
“Desde que o mundo é mundo que toda a gente ali governa a vida na lavoura que a terra permite. E, com luto na alma ou no casaco, mal a noite escurece, continua a faina. A vida está acima das desgraças e dos códigos. De mais, diante da fatalidade a que a povoação está condenada, a própria guarda acaba por descrer da sua missão hirta e fria na escuridão das horas. E se por acaso se juntam na venda do Inácio uns e outros – guardas e contrabandistas -, fala-se honradamente da melhor maneira de ganhar o pão: se por conta do Estado a vigiar o ribeiro, se por conta da Vida a passar o ribeiro.”

3 pensamentos sobre “Novos Contos da Montanha

  1. Nunca li nada de Miguel Torga, mas as tuas críticas têm sido tão boas que estou a ficar mesmo curiosa. Acho que da próxima vez que passar numa livraria vou ter de trazer um dele. Eu lembro-me de ver aqui por casa o Bichos, mas sinceramente não sei o que lhe aconteceu… 😦

  2. Fiquei fã da escrita de Miguel Torga, N. Martins. Gosto deste lado mais humano que o autor dá às histórias. Em algumas delas é mesmo possível uma pessoa sentir empatia, ou por viver algo parecido, ou conhecer uma realidade semelhante a partir das histórias que os nossos avós nos contam dos seus tempos de juventude.

  3. Estou a achar o teu périplo pelos escritores lusófonos fascinante, cheio de surpresas boas. Mais que não seja é provável que me venha a tornar leitora de Miguel Torga por tua causa… 🙂
    Esse do Pepetela nunca li… Fico a aguardar a tua opinião.

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