Kikia Matcho – O Desalento do Combatente

Para os povos africanos, kikia matcho (mocho) significa má sorte. Quando ‘N Dingui morre e o seu camarada de Luta, Papai, vê da janela um mocho com a cara do falecido, logo se percebe que algo não está bem. Esta é uma história que aborda três universos diferentes. O primeiro é o mundo mágico e místico africano, com referências a espíritos e cerimónias de consulta de oráculos. O segundo passa pela abordagem da vida decadente da capital Bissau na década de 1990. O terceiro e último retrata o sonho falhado que representou as sucessivas vagas de emigração guineense para Lisboa.
Kikia Matcho é o primeiro e único livro de que existe registo escrito pelo guineense Filinto de Barros. Trata-se de um relato mais próximo dos anos que se seguiram ao fim da guerra da independência da Guiné Bissau, que levou a figura de Amílcar Cabral a um estatuto de herói nacional. O retrato de um povo que esqueceu da luta travada e tenta chegar à modernidade possível de países vizinhos. Mas é também, à semelhança da escrita de outros escritores africanos, um relato das tradições e do misticismo que os povos de África tendem ainda a seguir. Um livro interessante apesar de ser, segundo palavras do próprio autor, “um pequeno exercício de ficção”.

Classificação: 3/5

“Mana Tchambú conhecia a história de cada um, desiludidos, débeis mentais, que encontraram no álcool o sentido, não da vida, mas da resignação. No passado tiveram algum valor, jogaram algum papel no turbilhão da sociedade emergente no continente. A maior parte tinha acreditado em ideias, valores, etc., tudo quimeras! Comandantes, comissários políticos, embaixadores, Comissários de Estado, milícias, comandos africanos, uma mistura carnavalesca, como carnavalesca tem sido a vida deste pequeno país!”

4 pensamentos sobre “Kikia Matcho – O Desalento do Combatente

  1. Tenho-o cá e tenciono lê-lo no decorrer deste ano.🙂 Com esta tua crítica, fico com as expectativas num nível médio, que, arrisco-me a dizer, são sempre as melhores.🙂 Assim não me desiludo.

    Bom fim de semana!
    Tiago

  2. Li este livro e gostei imenso dele. Revela uma perspectiva critica aguda sobre as sociedades guineense e portugesa nos primeiros anos de independencia da Guine. Vale a pena ler!

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