Estorvo

 
Esta obra fala de um homem sem nome, um homem só, a confessar as suas memórias em cada página, a prender as suas cobardias sem sentido na intenção dos seus próximos passos. É considerado o estorvo para a mãe, para a irmã, para o cunhado, para o seu melhor amigo, para a ex-mulher, para a antiga casa de família. Um prisioneiro e uma sobra de uma vida que passou. No fundo, um solitário que conta a sua história, na primeira pessoa, sem ter mais nenhuma para contar senão a história falhada da sua própria vida. Um homem que saberia muito bem como não existir não tivesse a sua história para contar.
Já há algum tempo que tenho curiosidade em conhecer a obra deste autor multifacetado brasileiro mas julgo que escolhi mal o livro por onde começar. Apesar de a sua escrita ter algumas características a que não se deve dar descrédito, como a vertente mais cromática e a essência tropical do pano de fundo da acção, confesso que não me cativou ao ponto de não querer pousar o livro. É uma escrita algo “enrolada”, que se perde muitos nos exercícios de suposição, do que aconteceu ou terá acontecido. Isto não significa que irei desistir do autor. Irei ler outras obras de Chico Buarque na tentativa de mudar a minha opinião, como se esta obra em particular fosse apenas um “acidente de percurso”.
Classificação: 3/5
“Depois de certa idade, acho que o acervo de sonhos se esgota, e eles começam a reprisar. Mas como nada é totalmente péssimo, a memória de um velho também enfraquece, e ele já não tem certeza se sonhou aquele sonho ou não. Vai reconhecendo as passagens mais marcantes e diz “é mesmo”, mas não sabe direito o que vem pela frente. E se pela frente vier um precipício, um incêndio, um desastre de avião, a morte de todos os parentes, uma perseguição num labirinto, um cataclismo que a gente acorda sobressaltado e com falta de ar, e solta um grito, senta-se na cama e perde o sono, o velho diz “eu sabia”, ou “eu não avisei?”.”

4 pensamentos sobre “Estorvo

  1. Sim… e não tenho a certeza mas acho que este é o primeiro livro do autor, o que pode servir de justificação para uma escrita pouco evoluída. Apesar de dizeres que talvez não tenhas começado pelo livro certo, é este que eu já cá tenho dele, e será mesmo pelo «Estorvo» que me vou iniciar em Chico Buarque. 🙂

    Boa semana!

  2. Não, este não é o primeiro do Chico, teve antes, pelo menos, “Gota D'Água” e a “Fazenda Modelo” este que é inspirado na “Revolução dos Bichos” do Georges Orwell (eu prefiro o Orwell).

  3. Só um aviso Tiago, não sei se estás dentro do assunto mas o “Estorvo” está cheio de gralhas provocada por um erro técnico aquando da impressão do livro. No entanto, a Impresa vai republicar o livro, já sem gralhas, só ainda não anunciou a data em que isso vai acontecer.

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