O Codex 632

Aquando da morte do Professor Martinho Toscano, a American History Foundation contrata Tomás Noronha, um professor de História da Universidade Nova de Lisboa, perito em criptanálise e línguas antigas, para continuar as investigações do falecido professor, no sentido de descobrir que rumo tinham tomado as mesmas. Os conhecimentos de Tomás vêm a ser um elemento chave, já que Toscano deixou uma série de enigmas no sentido de ocultar certas informações. Mas o mistério que estas encerravam revelaram-se para além da imaginação de Tomás, lançando-o na pista do mais bem guardado segredo dos Descobrimentos: a vida e a missão de Cristóvão Colombo. Paralelamente a este mistério, surgem diversos momentos da vida pessoal de Tomás, centrados maioritariamente na filha, uma menina portadora de Síndrome de Down.
De todos os livros de Rodrigues dos Santos que li, este é o mais cansativo de todos. A história em si é cativante, já que explora diversos aspectos da conjuntura política da época das Descobertas que seriam alheios para a maioria das pessoas. Mas a sucessiva torrente de informações apresentadas aquando das reuniões de Tomás com o elemento da American History Foundation torna esses capítulos em particular longos e cansativos de acompanhar. Tirando isso, as descrições de diversos lugares por onde Noronha passa, como Sevilha, Rio de Janeiro ou mesmo locais em cidades portuguesas como Tomar ou Sintra, estão bastante pormenorizadas, o que dá uma vontade suplementar de ir lá e ver se os locais são realmente como consta na descrição.
Classificação: 4/5
“De olhos fixos no palacete pendente sobre o nevoeiro, Tomás ainda não tinha decidido o que pensar sobre aquele enigmático lugar. Havia momentos em que a Quinta da Regaleira lhe parecia um lugar belo, transcendente, sublime; mas, sob o manto toldado das brumas, a beleza que irradiava daquele espaço místico transformava-se em algo assustador, lúgubre, um abrigo de sombras e um labirinto de trevas.”

10 pensamentos sobre “O Codex 632

  1. Olá. Eu tenho este livro e outros e quase todos do José Rodrigues dos Santos porque a minha mão gosta muito deste autor mas eu ainda não experimentei, embora tenha bastante vontade. Que livro dele aconselhas para começar?

  2. branca de neve: No caso da saga Tomás Noronha (O Codex 632, A Fórmula de Deus, O Sétimo Selo e A Fúria Divina) o melhor é seguir a ordem de publicação. Já os restantes (A Ilha das Trevas, A Filha do Capitão e A Vida num Sopro) podem ser lidos sem uma ordem específica.

    Diana Barbosa: Eu já te sigo desde que entraste no fórum da Estante, apesar de nunca ter comentado os teus posts.

    Marco Caetano: Eu estive em Sintra no ano passado com a intenção de visitar a Quinta da Regaleira mas as condições atmosféricas não permitiram. Tenho que lá voltar noutra altura.

  3. Nunca li nenhum do JRS, mas a ler começaria pela Filha do Capitão, que cá tenho em casa. Tenho um bocado de receio que não seja exactamente aquilo que estou à espera, e como é tão extenso… podes dar-me a tua opinião?

    Boas leituras!

    PS: Também vou ler brevemente o que estás a ler agora… esta iniciativa da Visão vem mesmo a propósito do que te estás a propôr em termos de leituras para este ano!😀

  4. Tiago, nesse campo não te posso ajudar muito porque os únicos livros do JRS que me passaram pelas mãos foram os da “Saga Tomás Noronha”, os restantes estão em wishlist.
    Quando à colecção “autores lusófonos” da Visão, veio mesmo a calhar sim. Logo à partida tem 2 autores que eu gosto (Mia Couto e José Cardoso Pires), 2 que quero conhecer (Pepetela e Chico Buarque) e os restantes dois (Germano Almeida e Filinto de Barros) que desconhecia completamente, o que representa uma diversidade interessante de culturas e escritas.

  5. Caro Tiago,

    A filha do Capitão é um livro muito interessante, que se lê bem, mas que como todos os livros de JRS que já li, possui uma parte um pouco “demasiado” descritiva. Será do géne jornalistico do autor?🙂
    Podes ver a minha critica em:

    http://conspiracaodasletras.blogspot.com/2009/04/filha-do-capitao-jose-rodrigues-dos.html

    Cara Isabel,

    Quanto aos nomes da colecção da Visão, gostaria de recomendar Pepetela. Apenas li “O quase fim do mundo” e tenho já em casa o “Predadores” para ler oportunamente.
    Gostei muito!
    Sugiro que leia a minha critica em:
    http://conspiracaodasletras.blogspot.com/2009/01/o-quase-fim-do-mundo-pepetela.html

    Continuação de boas leituras.

  6. Já li todos os livros de JRS.
    Na minha opinião este é claramente o melhor.
    JRS distingue-se por fazer assentar as suas novelas numa pesquisa exaustiva, que permite ao leitor enriquecer muito os seus conhecimentos, com histórias e curiosidades, por vezes surpreendentes.
    “Codex 632” é paradigmático deste estilo de JRS.

    Para quem não leu ainda JRS deve saber que podemos dividir os seus romances em duas “séries”:
    1-O thriler, com suspense, acção sempre enquadrados pela exactidão histórica.
    2- O romance mais baseado em histórias de amor (neste grupo temos “a filha do capitão” e a vida num sopro”, ambos muito bonitos e como sempre, cheios de informação histórica)

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