Contos da Montanha

Composto por 23 contos, neste livro Miguel Torga apresenta aos seus leitores textos que assentam mais em descrições do comportamento humano, das suas emoções e dos seus sentimentos do que em descrições de aspectos paisagísticos da zona geografica de que era originário o poeta. Citando alguns exemplos, em Maria Lionça, a personagem homónima personifica a ruralidade e a dignidade das mulheres transmontanas que, apesar de analfabetas, se impunham pelo respeito, pelos bons costumes e pela sua sabedoria popular empírica; em Bruxedo, a personagem Melra representa as superstições que, ao longo de muitas gerações, se foram enraizando na vida daquelas gentes, fazendo parte do seu dia-a-dia.
Mais um livro de belos contos escritos pelo poeta transmontano. Apesar de, tal como referia acima, estes contos terem uma forte componente humana, as descrições das serranias porque Torga era conhecido estão presentes e algumas bem marcantes até. Um livro onde as pessoas são os heróis e os sobreviventes da suas vidas de miséria, de fome e de sofrimento.
Classificação: 5/5
“Tinham findado de todo os horizontes largos do planalto, onde a alma corre de fraga em fraga, sempre à vista do céu. Encostas negras, em escada, cobertas de estevas ou eriçadas de zimbro, faziam tudo para entristecer quem lhes passava ao pé. À esquerda, um despenhadeiro de meter medo; à direita, uma penedia por ali acima, que só de vê-la faltava a respiração; ao longe, mortórios escalvados e desiludidos. Mas o grande rio doirado, que a luz da tarde transformara numa barra cintilante, chamava a si toda a atenção dos olhos, e a paisagem emergia do abismo engrandecida e transfigurada.”

2 pensamentos sobre “Contos da Montanha

  1. Já deu para perceber que aprecias Miguel Torga. Confesso que ainda não me aventurei na prosa dele (li apenas um conto por curiosidade), mas o que já li muito desse senhor foi poesia. 🙂

    Boa semana!

  2. Também quero explorar essa faceta de Miguel Torga. Mas sem dúvida que como contador de história, Miguel Torga consegue conquistar os seus leitores. Li nos seus contos expressões que já não ouvia há muito tempo do género “dar à de vila diogo” ou outras daquelas mais antigas.

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