Memórias Póstumas de Brás Cubas

Brás Cubas morreu em Agosto de 1869. Esta caricata personagem auto-intitula-se como sendo o primeiro defunto-autor da história, e não um autor defunto, visto que ele escreveu as suas memórias já depois de ter morrido. Brás Cubas começa as suas memórias com uma dedicatória que antecipa o humor negro e a ironia presente em todo o livro: Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas.
Eis um enredo interessante logo à partida: um morto a escrever as suas memórias, desde a infância, passando pelos amores, as amantes, a vida política ou a vida pública. Gosto sobretudo do modo como Machado de Assis escrevia, mantendo uma interactividade com os leitores, fazendo com que entrassem na história e pondo-os a pensar no que leram. São muitos os excertos que trazem alguma moral nas entrelinhas e outros que comportam verdades indiscutíveis. Eis mais um autor a acrescentar à lista de aquisições de novas obras.
Classificação: 5/5
“Mas é isso mesmo que nos faz senhores da terra, é esse poder de restaurar o passado, para tocar a instabilidade das nossas impressões e a vaidade dos nossos afetos. Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até à edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.”

Um pensamento sobre “Memórias Póstumas de Brás Cubas

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