Capitães da Areia

Esta obra relata as peripécias dos meninos de rua de São Salvador da Bahia, na década de 30, tendo como pano de fundo a miséria do cais de S. Salvador e a sombra protectora da mãe-de-santo Don’ Aninha. Mostra o quotidiano do grupo e o seu modo de agir, de conviver, a sua luta por alimento, abrigo, dinheiro, ou seja, a luta diária pela sobrevivência. Procura também demonstrar que é a sociedade que leva essas crianças ao crime e à marginalidade, graças ao distanciamento entre classes. A violência, uma constante no quotidiano destes meninos que vivem do roubo, tem o seu contraponto na amizade que os une e nos momentos em que, extasiados, ouvem as histórias que vêm nos livros de aventureiros, de homens do mar, de personagens heróicas e lendárias que o Professor conta todas as noites.
Após terminar este livro, o meu único pensamento foi “Comecei o desafio com chave de ouro”. Apesar de ser uma história muito triste, emocionante e dura, é também uma história que prende pela beleza e simplicidade da mesma. Grande parte dos meninos do grupo já não têm família, por isso o grupo é a família deles. Todos se tratam como iguais, no grupo há regras e quem não as cumpre é posto de lado e nos momentos difíceis todos se ajudam. Um livro que recomendo a toda a gente.
Classificação: 5/5
“Mas o Sem-Pernas não compreendia que aquilo pudesse bastar. Ele queria uma coisa imediata, uma coisa que pusesse seu rosto sorridente e alegre, que o livrasse da necessidade de rir de todos e de rir de tudo. Que o livrasse também daquela angústia, daquela vontade de chorar que o tomava nas noites de inverno. Não queria o que tinha Pirulito, o rosto cheio de uma exaltação. Queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivesse sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores.”

2 pensamentos sobre “Capitães da Areia

  1. Se não fosse esta crítica eu jamais teria pensado em pegar neste livro, não por não gostar da sua história, mas porque simplesmente não me teria chamado a atenção a capa e o autor… mas a partir deste momento já entrou para a lista de espera. 🙂 Excelente forma de começares o Desafio Lusofonia ^^ Por coincidência, embora não esteja a adoptar para mim a iniciativa, o primeiro livro que li do ano foi JESUSAlÉM, de Mia Couto (moçambicano), e agora estou a ler AVÓDEZANOVE E O SEGREDO DO SOVIÉTICO, de Ondjaki (angolano). 🙂

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