A Conspiração contra a América

Partindo das suas vivências de infância na cidade de Newark, estado de New Jersey, Philip Roth faz um exercício de suposição, tentando imaginar que consequências traria para os Estados Unidos da América o facto de um político com conhecida simpatia pelo regime nazi de Adolf Hitler, Charles Lindbergh, chegasse a presidente. Toda a narrativa é passada em dois planos, um mais macro (a conjuntura política marcada pelo crescente movimento anti-semita) e outro mais micro (voltado para as vivências pessoais dos vários elementos da família Roth).
A Segunda Guerra Mundial é um tema recorrente nos programas escolares onde é apenas retratado o lado mais dinâmico do conflito, nomeadamente os diversos conflitos entre tropas do Eixo e dos Aliados. Nesta obra Roth traz-nos uma visão mais distanciada do conflito. A escrita do autor é muito interessante, embora se perca em pormenores demasiado rebuscados. Uma ultima palavra para o trabalho de Fernanda Pinto Rodrigues, a tradutora, que fez um bom trabalho, apesar das falhas de revisão detectadas, fornecendo aos leitores diversas notas de tradução que explicam elementos culturalmente específicos da realidade americana e judaíca. Mais um autor que merece ser seguido.
Classificação: 4/5
“Nunca a tinha visto tão exausta – não completamente esgotada como Mrs. Wishnow, mas nada que se parecesse com a mãe incansável e repleta de contentamento que costumava viver cheia de vida dentro da sua pele, no tempo em que as suas preocupações eram apenas as de poder sustentar a família com os menos de cinquenta dólares que o marido trazia semanalmente para casa. Um emprego no centro da cidade, uma casa para governar, uma irmã tempestuosa, um marido determinado, um filho de catorze anos teimoso e outro, de nove anos, apreensivo – mas nem a enxurrada simultânea de todas estas preocupações, com todas estas severas exigências, teriam de ser excessivamente esmagadoras para uma mulher tão desembaraçada e expedita se não houvesse, também Lindbergh.”

3 pensamentos sobre “A Conspiração contra a América

  1. Ora então cá estou!
    Só vim depois de elaborar a minha própria opinião pois não queria ser influenciado pela sua. Gostei bastante da opinião da Isabel que, no geral, não difere muito da minha. Achei interessante ter conseguido verbalizar bem melhor do que eu a questão das duas esferas da história, uma mais geral e outra mais familiar.
    Boas Leituras, Isabel! 🙂

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