A Malinche

Malinalli é uma jovem asteca que foi oferecida como escrava pela própria mãe, após esta ter casado pela segunda vez, a comerciantes. Foi vendida aos maias e em algum tempo aprendeu o seu idioma. Quando Cortés chegou ao México, foi novamente oferecida como escrava, junto com mais 19 meninas, aos espanhóis como presente. Cortés já contava com um tradutor do idioma maia, o padre espanhol Jeronimo de Aguilar, mas os astecas e a maioria dos índios não maias falavam nahuatl. Como Malinalli falava tanto maia quanto nahuatl, esta pode servir de intérprete do próprio Jeronimo nos primeiros encontros com os emissários de Montezuma. Convertida ao Cristianismo e batizada como Marina, rapidamente aprendeu o castelhano e tornou-se “a língua” de Cortés, por quem se apaixonou e mais tarde se tornou amante, chegando a ter um filho dele. O talento para a negociação era uma característica marcante de Marina, que ajudou os espanhóis na tentativa de, no início, estabelecer relações amigáveis com o império Asteca e a conquistar aliados entre outros povos indígenas tributados pelos próprios astecas, como os cempolanos. Como a Conquista seria inevitável, o papel de Marina foi mais o de acelerar e, de certa forma, até suavizá-la, evitando que ainda mais vidas fossem perdidas.
Foram vários os aspectos que me agradaram neste livro. O primeiro foi a sua componente histórica, pois permitiu-me ter uma visão diferente destas civilizações daquela que estudei. O segundo foi alguns momentos do texto, nomeadamente os sábios conselhos da avó de Malinalli. O terceiro foi o bom trabalho da tradutora Helena Pitta, com as diversas notas de tradução que explicam elementos culturalmente específicos destas civilizações. O quarto e último são as ilustrações, feitas originalmente por Jordi Castells, sobrinho da autora, que representam o códice pessoal de Malinalli.
Classificação: 4/5

“- Eu vejo o que está atrás das coisas. Não posso ver a tua cara, mas sei que és bonita; não posso ver o teu aspecto, mas posso conhecer a tua alma. Nunca vi os teus códices, mas vi-os através das tuas palavras. Posso ver todas as coisas em que acredito. Posso ver a razão de estarmos aqui e para onde iremos quando deixarmos de brincar.”

2 pensamentos sobre “A Malinche

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