Poemas, Sonetos e Baladas

Poemas, Sonetos e Baladas

“Poemas, Sonetos e Baladas” foi originalmente publicado em 1947, com uma edição limitada de 372 exemplares, todos eles numerados e autografados. Coordenado por Eucanãa Ferraz, estão aqui reunidos poemas escritos pelo autor numa fase em que estudou em Oxford. Isso está bem visível nas datas de alguns poemas. Considerado um dos mais importantes e mais belos da carreira literária de Vinicuis de Moraes, nesta obra encontram-se alguns dos poemas mais famosos do autor tais como “Soneto da Fidelidade”, “Poema de Natal”, “O Dia da Criação” ou mesmo “Soneto da Separação”.

Sempre que se fala em Vinicius de Moraes, julgo que para toda a gente a primeira ideia a surgir associada ao nome é “Garota de Ipanema”. Nesta obra em particular, Vinicius ainda estava longe de começar a sua carreira como letrista e de trabalhar com nomes tão sonantes da música brasileira como são os casos de Edu Lobo, Tom Jobim ou Toquinho. No entanto, em alguns dos poemas já surge um estilo de escrita muito musical. Todos eles são pautados por uma linguagem muito clara e obedecem à temática que indica o título do texto, não existindo, assim, lugar a compreensões abstractas. Vinicius tem como temas recorrentes a morte, a saudade e a tristeza, associando a espaços a temática do amor a estes mesmos temas. Outros dos aspectos que é possível notar é uma presença constante de elementos naturais nos seus poemas. Exemplo disso são referências várias ao mar, às montanhas, às estrelas, aos pássaros, ao vento, às flores, etc. Existe também uma presença constante de um elemento feminino nos poemas, seja uma mulher que o poeta ama, alguém da sua família, mulheres que vê passar na rua, etc. Na grande maioria dessas figuras femininas, Vinicius atribui-lhes um elementos sensual, algumas delas chega a ser um elemento sexual. Noutros casos, Vinicius opta por focar-se mais no aspecto mais puro da figura feminina. Em jeito de conclusão, são poemas cheios de sol que por vezes são ensombrados pelos nuvens da tristeza.

Classificação: 5/5

“Soneto de Separação

De repente do riso fêz-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fêz-se espuma
E das mãos espalmadas fêz-se o espanto.

De repente da calma fêz-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fêz-se o pressentimento
E do momento imóvel fêz-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fêz-se de triste o que se fêz amante
E de sozinho o que se fêz contente.

Fêz-se do amigo próximo o distante
Fêz-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.”

Opinião re-escrita a 13/Mar/2013

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