O Processo

Joseph K. é um funcionário de uma instituição bancária, habitante de uma cidade e cidadão de um país dos quais o autor não nos dá quaisquer pistas de onde se situam. Como o título indica, a história gira em torno de um processo: o processo de K. Sobre este processo, o nome do acusado é a única coisa que se sabe. Aquando da sua detenção, K. não faz a menor ideia do crime por que está acusado ou se terá mesmo cometido algum crime. Os próprios agentes que o detêm não lhe dão essa informação. Durante a obra inteira, K. mantêm-se na ignorância sobre que tipo de processo é que se viu envolvido.
Adquiri esta obra pela curiosidade que tinha em lê-la mas também para perceber em que contexto se diz que uma determinada situação é “kafkiana”. Daí nada melhor do que começar pela sua obra mais conhecida. Aquilo que no inicio do livro era uma narrativa estranha e que ficava cada vez mais surreal ao longo das páginas, veio a revelar-se uma narrativa impregnada de uma profunda, embora subtil, apreciação social, mas que ao mesmo tempo é o espelho de uma mente crítica, em desconformidade com os ritos sociais vigentes, aos quais lança inúmeros ataques. Publicado a título póstumo, este livro apenas nos é acessível porque Max Brod, amigo e confidente do autor, não lhe foi fiel ao ponto de satisfazer o seu último pedido: que queimasse todas as páginas por si escritas. É caso para dizer que ainda bem que este amigo não o fez, pois mostrou ao mundo esta obra-prima da literatura.
Classificação: 5/5

“Esforçarem-se por compreender que este grande organismo judicial está por assim dizer perpétuamente em equilíbrio instável; ao modificar-se algo por iniciativa própria, mina-se o chão debaixo dos pés e arrisca-se mesmo a soçobrar definitivamente, ao passo que o grande organismo recupera facilmente algures esta leve perturbação – porque tudo anda ligado – e permanece imutável; a menos, coisa muito provável, que não se torne ainda mais fechado, ainda mais vigilante, ainda mais severo, ainda mais malévolo.”

Um pensamento sobre “O Processo

  1. É um livro de leitura obrigatória.. Não há palavras para o descrever, tal é a sua essência.

    Para continuar a perceber o que são situações kafkianas sugiro que leia a Metamorfose. Mais uma obra-prima.

    Continuação de boas leituras.

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