O Deus das Pequenas Coisas

Rahel chega a Ayemenem, uma pequena cidade no estado de Kerala, Índia, numa tarde chuvosa de Junho, quando as monções já tinham começado. A vegetação parece subir enroscada nas paredes quando Rahel entra em casa, uma casa vazia com a varanda da frente deserta e o carro, um Plymouth azul-celeste, enterrado na lama. Rahel regressa a casa, vinda da América, para uma viagem pelo passado, as memórias que marcaram para sempre a família que a amou e a desprezou. Para lembrar a mãe, Ammu, que amava de noite o homem que os filhos amavam de dia, Velutha, membro de uma casta de Intocáveis. Mas sobretudo para reencontrar Estha, o seu irmão gémeo que se refugiou numa pesada mudez desde que passara por uma experiência traumática.
Esta é uma história que atravessa a vida de três gerações de uma mesma família numa Índia que atravessa um período politico conturbado com a afirmação de algumas ideologias, mas que, por outro lado, se conserva cristalizada nas suas origens, tradições e costumes. Apesar de, na minha óptica, alguns elementos culturalmente específicos devessem ser objecto de explicação, num aspecto geral a tradutora Teresa Casal fez um excelente trabalho ao trazer para os leitores as imagens marcantes, algumas até agressivas de tão cruéis, de um país cheio de contrastes como é a Índia.
Classificação: 4/5

“Não importava que a história já tivesse começado, porque há muito que o kathakali descobriu que o segredos das Grandes Histórias é elas não terem segredo nenhum. As Grandes Histórias são aquelas que já ouvimos e queremos voltar a ouvir. Aquelas onde podemos entrar e morar confortavelmente. Que não nos enganam com calafrios e finais acrobáticos. Que não nos surpreendem com o imprevisto. Que são tão familiares como a casa onde moramos. Ou o cheiro da pele de um amante. Sabemos como acabam, porém ouvimo-las como se não soubéssemos. Tal como, embora sabendo que um dia havemos de morrer, vivemos como se não o soubéssemos. Nas Grandes Histórias sabemos em vive, quem morre, quem encontra o amor e quem não o encontra. E, contudo, queremos saber de novo.”

Um pensamento sobre “O Deus das Pequenas Coisas

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s