Terra de Neve

A acção deste livro decorre numa estação termal nas montanhas do norte do Japão. Nesse local conhecem-se as duas personagens principais. Komako é uma jovem geisha, bonita mas pouco segura de si, ainda infantil, pouco madura e deslumbrada pela ingenuidade do amor; Shimamura é um homem maduro mas com um conflito interno evidente que o obriga a voltar à estação termal, temporada após temporada para se encontrar com Komako, uma situação por vezes desconfortável para ambos em virtude do meio rural onde está situada a estação termal, um homem perdido entre duas épocas, um Japão moderno em transição de um estado rural. A relação que nasce entre os dois está votada ao insucesso mas mesmo assim cria-se entre ambos uma ligação profunda onde cada um dos intervenientes se irá entregar, com final distinto para cada um.
Tenho um fascínio pela cultura tradicional japonesa. A arquitectura das casas, os jardins, os quimonos, as danças. No entanto, os autores japoneses nunca tinham chamado a minha atenção. Depois deste livro fiquei rendida. Uma escrita muito poética e intensa, com descrições de uma beleza imensa. A partir de agora irei, com certeza, dar mais atenção a autores japoneses. Por fim, seria injusto da minha parte não elogiar o trabalho de Armando da Silva Carvalho, o tradutor. Conseguiu manter o registo poético e musical da escrita e explicou, através de várias notas de tradução, alguns elementos culturalmente específicos da cultura japonesa.
Classificação: 5/5

“A noite continuava imóvel, estática, sem o sobressalto da mais leve brisa, e a paisagem revestia-sede uma austera severidade. Vindo do chão, um rumor surdo parecia responder ao ranger do gelo que comprimia a neve por toda a parte à superfície. Não havia luar. As estrelas, pelo contrário, eram tão numerosas que pareciam irreais, tão cintilantes e tão próximas que se julgava vê-las cair e precipitar-se no vazio. O céu reduzia-se atrás delas, cada vez mais profundo e mais distante, ao longe, na fonte tenebrosa da noite. Os cumes das altas montanhas, confundidas numa única linha de cristas, erguiam para o céu estrelado a sua massa imponente, dando relevo a um horizonte negro e monstruoso. Mas no conjunto de toda a paisagem reinava uma harmonia única, feita de serenidade pura e de tranquilidade magnífica.”

2 pensamentos sobre “Terra de Neve

  1. Estava esperando ansiosamente sua resenha e vou dar uma saculejada nas minhas leitura e adotar esse livro para ler uma literatura japonesa! Já coloquei na lista!

    Uma boa semana…

    Abraços…

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