O Vale da Paixão

Passada em São Sebastião de Valmares, no Algarve, a trama desenvolve-se a partir de uma visita que a narradora, de quem nunca se sabe o nome, recebe do seu tio, Walter Dias, que na verdade é seu pai biológico. Esta visita desencadeia uma profunda reflexão sobre raízes, onde o passado e o presente são baralhados, como no início de um jogo de cartas. Ao longo da história ficamos a conhecer a família Dias. Walter, o filho mais novo, revolta-se contra o atraso, o autoritarismo e o moralismo da Casa de Valmares e parte, mas paga um preço altíssimo por isso: é condenado a vagar pelo mundo, arrastando culpa e solidão. A partir desse enredo, Lídia Jorge, com mestria, ergue uma catedral de silêncios e purgações.
Classificação: 2/5

“Francisco Dias apoiou-se na mesa para não cair. Não podia ser. O trotamundos jamais voltaria. A vocação de um trotamundos era não voltar ao local de partida, a menos que não pudesse mais deambular pelo mundo, e a paragem forçada no mesmo lugar lhe lembrasse a terra donde provinha. O trotamundos, se não está com doença nem em vésperas de morrer, jamais iria voltar àquela casa. Podíamos dormir descansados, dizia Francisco Dias. Seu filho Walter contava trinta e oito anos, estava no auge da trotamundice, e por isso não viria.”

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