Poemas

PoemasCoordenada por Fernando Cabral Martins, esta compilação de poemas representa a voz adulta de Mário de Sá-Carneiro, ou seja, poemas escritos a partir de 1911. Aqui são apresentados um livro que o autor preparou e publicou, um livro que o autor apenas preparou e diversos poemas dispersos que Mário de Sá-Carneiro enviou por carta a amigos. Dispersão corresponde ao livro pronto e publicado pelo próprio em 1913, altura em que o poeta se encontrava em Paris a estudar Direito. Manucure é um texto de essência futurista publicada na revista Orpheu 2, publicada em 1915 sob a direcção de Fernando Pessoa e do próprio Mário de Sá-Carneiro. Indícios de Oiro corresponde ao livro que o poeta preparou e terminou, tendo depois enviado a Fernando Pessoa. Este acaba por ser publicado por intervenção de Pessoa uma vez que Sá-Carneiro comete suicídio em Abril de 1916. Por fim, Últimos Poemas e Colete de Forças correspondem aos últimos poemas escritos pelo poeta e que foram, também eles, enviados para Fernando Pessoa.

Mário de Sá-Carneiro é considerado pelos conhecedores da Literatura como a grande figura do Modernismo português. Olhando para todos os poemas desta obra, posso também acrescentar que Sá-Carneiro foi um grande pessimista. O tom pessimista é uma constante ao longo do livro e quanto mais nos aproximamos dos últimos, mais este tom se adensa. Para além do pessimismo aparecem por várias vezes ideias ligadas ao decadentismo, expressas por sinais claros de futilidade e episódios de vida boémia. As referências à cidade de Paris são uma constante, uma vez que o poeta passou grande parte da sua curta vida na “Cidade das Luzes”. As referências ligadas ao Modernismo também não foram esquecidas nesta compilação, surgindo em alguns poemas que correspondem no tempo às publicações das revistas Orpheu. Para concluir, e observando o conjunto dos poemas como um todo, pode-se dizer com segurança que através deles se pode traçar o mapa mental de Mário de Sá-Carneiro até ao dia da sua morte.

Classificação: 4/5

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro

Ajaezado à andaluza:
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!…”

Opinião re-escrita a 20/Mar/2013

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s