Contos de Natal

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Composto por contos escritos por Charles Dickens entre os anos de 1843 e 1865, esta compilação junta alguns dos textos mais famosos do autor inglês cujo tema é o Natal. O primeiro e mais conhecido de todos é Um Cântico de Natal, onde se tenta ensinar a magia da quadra festiva por um meio mais sobrenatural. O segundo é As Receitas do Doutor Marigold, onde se conta a história de um homem que amou do mesmo modo a filha e uma estranha. O terceiro é Os Sete Caminhantes Pobres, onde se relata a consoada proporcionada a sete pessoas humildes. Por fim, As Vozes dos Sinos, onde se acertam contas com o ano que termina e se prepara a chegada de um ano novo.

Em termos literários, quando se fala em Natal para muitos leitores a primeira ideia que surge é a do rezingão Mr. Scrooge. No entanto, não se pense que Charles Dickens é apenas Um Cântico de Natal. Todos os restantes contos que compõem este livro trazem uma moral de solidariedade, compaixão, bênção e agradecimento muito vincada. Todos fora reflectem, também, uma realidade cada vez mais actual, onde as classes mais baixas passam por grandes privações e as classes mais altas demonstram uma caridade falsa, diria-se mesmo “para inglês ver”. Todas as descrições das condições de vida miseráveis da maioria das personagens retratadas são angustiantes. Só alguém com uma pedra no lugar do coração é que não fica tocada, nem que seja levemente, por aquilo que está a ler. Felizmente, esse ambiente pesado é cortado por um estilo de escrita muito interessante. Por um lado, é um estilo muito intimista. O autor escreve como se tivesse o leitor ao seu lado e lhe estivesse a contar directamente aquela história. Por outro lado, é uma escrita muito “impulsiva”. Em várias ocasiões, o autor perde-se em divagações relacionadas com o que está a contar mas depressa se policia e volta à sua narração inicial. Em jeito de conclusão, esta é uma obra que de um modo muito peculiar nos aquece o coração nesta época festiva.

Classificação: 4/5

Como não é fácil afastarem-me de um intento, quando o meu propósito é segui-lo, instei com a bondosa senhora, salientando que estávamos na véspera de Natal; que o Natal só acontece uma vez no ano, triste verdade, pois se aparecesse todos os meses, este mundo seria muito diferente; (…).

Opinião re-escrita a 22-Dez-2013

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