O Delfim

O Escritor, o narrador deste romance, relembra os fatos de quando fez uma viagem à Gafeira, uma aldeia do interior de Portugal. Relata como conheceu Tomás Manuel (o Delfim), também conhecido por alguns como O Infante, ou ainda como O Engenheiro. Relata as várias conversas que tivera com ele e comenta muito de sua personalidade. Tomás era o homem mais importante daquela aldeia, herdeiro das terras que cercam a lagoa. A Lagoa era também importante, pois a Gafeira tinha como única actividade económica de relevo a caça. O Delfim é dado às bebedeiras e às noitadas, embora seja casado com Maria das Mercês. Esta vive isolada na casa da fazenda e sente saudades do tempo em que tinha amigas e passeava. O criado Domingos vai se destacando por suas habilidades com as máquinas. O Escritor tenta compor uma história baseada no clã da família de Tomás Manuel, tendo como apoio um texto antigo escrito pelo Abade Agostinho Saraiva, escrito em 1801 intitulado “Monografia do Termo da Gafeira”. O exemplar que leu pertencia à dona de uma pensão da Gafeira, que avisa que ao que ela sabe, apenas o Tomás Manuel tem outro exemplar. De Tomás Manuel o escritor também consulta um livro intitulado “Tratado das Aves”, escrito por um curioso.
Classificação: 3/5
Ah, tudo faz sentido na aldeia da lagoa. Aqui, meridiano da Gafeira, N graus de longitude, N graus de latitude norte, o tempo tem um vencimento diferente, o amor cumpre luto oficial e tudo faz sentido, mesmo um Engenheiro que volta ao bar da sua perdição (vide processo respectivo nos arquivos da GNR) carregando a sombra morta de um criado. Tomás Manuel nunca mais se livrará desse espectro que tanto trabalhou em vida para o moldar aos seus passos e que, à ultima hora, lhe escapou.

2 pensamentos sobre “O Delfim

  1. È um livro que consegue atingir picos de qualidade, com frases e expressôes deliciosas, que retratam de forma perfeita, a sociedade hierarquizada do Portugal de 60 e desvendam os seus valores e vassalagens, em que o peso do passado condiciona todo o presente.
    È necessária alguma atenção,porque o texto deste livro não é dado a floreados publicitários que avisam da sua qualidade.È como aquele vento das tardes quentes de verão que não se sente, até que ele pára e começamos a sofrer o calor, provando que ele existia.
    Infelizmente o escritor não conseguiu manter essa qualidade de forma uniforme ao longo de todo o livro.
    O filme de Fernando Lopes com argumento de Vasco Pulido Valente é de facto a não perder.

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