O Crime do Padre Amaro

Um dos grandes clássicos da literatura portuguesa. Apareceu pela primeira vez, sob a forma de folhetins, em 1875.
Conta a história de um padre, Amaro Vieira, que depois de alguns anos numa paróquia pobre perdida no meio das serras, é transferido para Leiria. Lá, Amaro instala-se em casa de uma senhora conhecida na terra por S. Joaneira. É a partir daí que Amaro comete o seu verdadeiro crime, apaixonou-se por Amélia, filha da S. Joaneira.
Mas Eça, a par do contar das desventuras destas duas almas, vai fazendo o que melhor sabia fazer, desferir diversas criticas. Ao clero, aos novos ricos, aos costumes…
Classificação: 5/5
Quando iam sentar-se à mesa chegou o Libaninho todo azafamado, gingando muito, com a calva suada, exclamando logo em tons agudos;
– Ai filhos! Desculpem-me, demorei-me mais um bocadinho. Passei pela Igreja de Nossa Senhora da Ermida, estava o padre Nunes a dizer uma missa de intenção. Ai filhos, papei-a logo, venho mesmo consoladinho!
A Gertrudes, a velha e possante ama do abade, entrou então com a vasta terrina de caldo de galinha: e o Libaninho saltitando em roda dela, começou com os seus gracejos:
– Ai, Gertrudinhas, quem tu fazias feliz bem eu sei!
A velha aldeã ria com o seu espesso riso bondoso, que lhe sacudia a massa do seio.
– Olha que arranjo me aparece agora pela tarde…
– Ai filha! As mulheres querem-se como as pêras, maduras e de sete cotovelos. Então é que é chupá-las!
Os padres gargalharam; e, alegremente acomodaram-se à mesa.

Um pensamento sobre “O Crime do Padre Amaro

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