Onde Vais Isabel?

D. Isabel de Aragão é, sem dúvida, uma das minhas figuras preferidas da História de Portugal. Não por ter o mesmo nome que ela, mas por ter sido quem foi e por ter feito o que fez. Além disso, a linhagem de D. Dinis confunde-se com o nome da minha cidade. O seu filho bastardo D.Afonso Sanches e a mulher estão sepultados no mosteiro que mandaram construir, o Mosteiro de Santa Clara.
Ao longo deste livro é retratada a vida desta princesa espanhola que foi feita Rainha de Portugal e de quem se dizia que era estrábica e que ficou conhecida pela sua extrema bondade para com os pobres e os mais desfavorecidos.
Classificação: 5/5
– ONDE VAIS ISABEL?!!!
Detém-se, sem olhar para trás, na mesma posição de há pouco. Só a cabeça de minha tia se inclina contra o peito, decerto para esconder emoções que possam trair os planos. Com o tempo parado nos gestos de quase todos, os apelos dos famintos são agora sussurros alongados. Mas o rosto da rainha não acusa medo, veste um sorriso sereno de quase travessura, enquadrado pelo cabelo castanho claro, preso atrás com um laço azul. E como se esperasse há muito este momento, roda a cabeça num ângulo pequeno, para responder brandamente a D. Dinis em tom distante:
– Por aí visitar meus pobres e doentes, senhor. Precisais de alguma coisa?
– Preciso sempre de minha mulher no paço, ou não sabeis?
– No paço não vos vejo quase nunca, D.Dinis
– Trato de meus assuntos com meus secretários.
– E eu dos meus vou tratar com minhas aias, senhor. Podeis dar-me espaço para não chegar muito tarde?
– Depois que me disserdes o que levais no regaço, podereis partir em paz
– Apenas rosas, senhor, o que havia de levar
– Rosas…? No Inverno algum jardim dá rosas, por milagre?
E contente deste episódico ardil, que muitas orações lhe vai custar, a rainha deixa cair o fardo amorosamente preparado para a ocasião. São botões de rosa viçosos, conforme testemunha D. Dinis num silêncio de espanto, entre o rosto da mulher e cada flor a tombar. Os pobres precipitam-se para os pés de D. Isabel, em busca de moedas ou tão-só da flor, como se de pão sagrado se tratasse
– São mesmo rosas, senhor…

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